domingo, 9 de outubro de 2011

Quanto tempo é preciso esperar para fazer sexo após o parto?

Sexo pós-parto

Quem já foi mãe e pai sabe disso: “Enquanto ele conta os dias para a retomada do sexo, ela nem pensa nisso, só no bebê.” É preciso achar um equilíbrio.

Muitas coisas mudam para a mulher quando ela tem um filho, física e mentalmente.
Quase todas as mulheres passam por um período de depressão após terem um bebê, e os casais têm que trabalhar juntos, senão eles podem ter sérias dificuldades.

Do lado dela, tudo se acumula: a amamentação, as noites sem dormir, os hormônios enlouquecidos... Em meio a esse turbilhão, ele aguarda ansioso por uma noite de sexo, enquanto ela, totalmente sintonizada no bebê, não está nem um pouco ligada nisso.

Ele é insensível, o lobo mau dessa história? De jeito nenhum. 'O marido é que tem de equilibrar essa situação, evitando que a mulher fique obcecada pelo papel de mãe, esquecendo-se do resto.

O fato é que as novas mamães tenham falta de lubrificação após o parto, o que é normal, mas o que causa uma diminuição do prazer durante o sexo, fazendo com que ela não sinta tanto desejo quanto antes.Os orgasmos para ela também podem ser menos intensos durante os primeiros meses.

Quanto tempo é preciso esperar para fazer sexo após o parto? Os obstetras orientam um resguardo de 40 dias, mas isso vai depender da mulher se sentir bem e desejar manter relações sexuais, após 20 dias já se pode voltar à ativa.

Os homens precisam entender esta fase e tentar ter paciência, maturidade para ajudar suas parceiras e amá-las muito durante este período difícil.

No http://monikabaumann.blogspot.com/2008/08/sexo-ps-parto.html

Sobre piadas de mau gosto

Rosane Pavam: O humor do coronel Rafinha Bastos

por Rosane Pavam, em CartaCapital
Rafinha Bastos alcançou a unanimidade. Depois de proferir na bancada de Custe o Que Custar, dia 19, uma sequência de palavras sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo, “Eu comeria ela e o bebê, não tô nem aí”, todos já sabem que um dos mais destacados integrantes do programa televisivo não é um comediante. Ele exercitaria, em lugar disso, a grosseria simples ou, por muita consideração, um humor bunga-bunga, inspirado no temperamento dos sultões. Talvez, ainda, para inseri-lo na história brasileira, agiria como um latifundiário diante do martírio sexual das escravas negras. E como alguém riria disso, a não ser os próprios coronéis e seus simpatizantes?
O filósofo Henri Bergson deu ainda no século XIX a mais duradoura lição sobre o riso. Bergson dizia que a risada ocorre com efeito restaurador. Ri-se, segundo ele, de quem é inferior a nós, para sanar um equívoco social. Por exemplo, uma mulher que não enxergue a idade avançada, vestindo-se e maquiando-se exageradamente, mereceria a risada, que corrigiria seu comportamento. Wanessa, cantora de sucesso, filha jovem e bonita de um compositor popular vindo de família pobre, e o futuro filho dela, pelo contrário, não seriam exemplos a merecer a correção, especialmente de Rafinha, que o público não reconhece superior a ela ou ao bebê em alguma medida.
“O objetivo da piada não é degradar o ser humano, mas lembrar que ele já é degradado”, ensinou o escritor George Orwell. Ou, como afirmou o humorista Chico Anysio a CartaCapital no ano passado: “O humor deve visar a crítica, não a graça. Ele vai ser engraçado onde puder”.
A seguir o que dizem esses autores, Rafinha feriu todas as regras do funcionamento humorístico. Não que esse boxeador verbal seja o único a quem se deva apontar a imprudência, já que, ao dizer tal frase, ele se viu provocado pelo comandante da bancada do programa, Marcelo Tas. Fora este a levar o assunto – a beleza da cantora grávida – à baila de seus comentadores subordinados. O que esperava quando levantou a bola para que Rafinha nela batesse? E, especialmente, por que não o advertiu em público logo que a frase foi proferida? Sobre o episódio, ele declarou à revista Veja São Paulo: “Não gostei, isso não é piada, não se encaixa na categoria humor. É uma deselegância, uma agressão gratuita. Ele foi infeliz. Acho que o CQC precisa superar a adolescência, passar dessa fase de rebeldia sem causa”.
Para o historiador da Universidade de São Paulo Elias Thomé Saliba, autor de um livro clássico sobre o humor brasileiro, Raízes do Riso, “nem humoristas os integrantes do CQC são”, pois “humoristas são criadores de humor”. E eles também não seriam cômicos, “porque não usam a totalidade dos recursos de um cômico, o corpo, os trejeitos lúdicos, com o objetivo de provocar o riso”. O que Rafinha fez, a seu ver, não foi uma piada, antes o “resultado de mera irreverência compulsória, forçada pelo ambiente de público ao vivo, com claque de risadas, que estimula a irrestrição verbal dos comentaristas”. As cenas mais criativas do programa, o historiador acredita, são as pseudoentrevistas com políticos, que parodiam o próprio veículo da imprensa televisiva e atingem os limites do burlesco, “mas que se tornam cada vez mais raras no CQC”.
No dia 3, Rafinha, diminutivo do ator alto de 34 anos, cujo sobrenome dá pano para manga (“bastos” remetendo a basta, entre outras infelizes evocações), desapareceu da atração televisiva. Não que ele já não houvesse dito ao vivo durante esse programa que custa o que custa, 130 mil reais por minuto de inserções comerciais, de 240 mil a 2,4 milhões por merchandising interno, segundo a Folha de S.Paulo, sua intenção de “comer” outras mulheres. Mas somente quando o ex-jogador de futebol Ronaldo Fenômeno mostrou contrariedade com a frase ofensiva, dirigida à esposa de seu sócio Marcus Buaiz, a -coisa ficou impossível de aguentar.
A TV Bandeirantes, onde brilha o CQC, mostrou-se então, pela primeira vez, incomodada com Rafinha, substituindo-o por Monica Iozzi na bancada, uma decisão para amainar os ânimos, mas estranha para quem observa os fatos. Apontado pelo jornal The New York Times -como o mais influente mundialmente no Twitter-, Rafinha já dissera, durante seus shows de pé e na rede social, que a mulher feia deveria se sentir feliz quando estuprada. Embora a “piada” não tivesse sido proferida durante o programa de tevê, o ator, por conta dela, era alvo de uma representação do Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo ao -Ministério -Público. Seria, para a emissora, um funcionário cuja conduta deveria ser observada? A Bandeirantes se viu atingida agora após a alegada ingerência de Ronaldo sobre sua cúpula, pois o jogador, além de se recusar a falar ao CQC, a teria ameaçado com a disposição de trabalhar por cortes de anunciantes ao programa.
O colega de bancada de Bastos, outro ator, Marco Luque, que rira da frase no instante em que fora proferida, abaixando a cabeça balouçante e, sobre a testa, encostando uma das mãos, emitiu curiosa nota no dia 2, em que classificou a piada do companheiro de “idiota”. Luque, garoto-propaganda da mesma companhia telefônica que patrocina Ronaldo, teria sua razão para manifestar horror diante de palavras fortes. Danilo Gentili, outra sumidade recém-saída do CQC para talk show próprio na emissora, tuitou e apagou no mesmo 2 de outubro: “Sempre enxerguei algo mais significativo sendo construído por um comediante linchado por falar merda do que por um queridinho por puxar sacos”. A postagem fez a delícia de seguidores como Daniel Lima, que a parodiou no Twitter: “Sempre enxerguei algo mais significativo sendo construído por um comediante linchado por falar sacos do que por um queridinho por puxar merda”.
No dia 2, declarara o Observer, revista dominical do jornal inglês The Guardian, que Gentili representava um momento brasileiro especial, em que os comediantes estariam livres para criticar “o poder”. Um exemplo de raciocínio do apresentador, citado pela publicação, foi desenvolvido durante um show em Brasília, no ano passado: “Votar em Dilma (Rousseff) porque ela foi torturada? Eu pedi para ela ser? Um presidente tem de ser esperto. Se ela foi capturada e torturada, significa que foi uma idiota”. Outra preciosidade já saíra de um comentário seu na rede: “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz”. Gentili não mostrou arrependimento pela frase com Dilma, mas, para se remediar junto à comunidade judaica, ele, mais afeito do que Rafinha aos comentários “políticos”, apresentou seu pedido formal de desculpas à Confederação Israelita do Brasil.
Em 1973, Millôr Fernandes, ilustre humorista brasileiro, sofreu um processo instaurado pelo então ministro da Justiça, Armando Falcão, por causa desta frase publicada em O Pasquim: “Jaqueline (Kennedy) nasceu de rabo pra lua e soube usá-lo”. Foi apenas um entre vários exemplos a demonstrar que os humoristas brasileiros, ao contrário do que crê o Observer, têm a tradição de criticar o poder, mesmo em tempos duros. Millôr afrontava a ditadura não em sua representação política, mas moral. Desafiava a censura federal em voga a todo escrito artístico que denegrisse alegados valores da “família brasileira”. Era humor crítico de quem vê oportunismo no fato de a viúva do presidente americano envolver-se repentinamente com um milionário armador grego.
O humor coronelístico de Rafinha Bastos, fundado no pensamento colonial escravista do Brasil, um país, portanto, de história politicamente incorreta, sem a necessidade de que os humoristas preguem agora a incorreção, não o leva a agir assim. Chico Anysio, assim como Jô Soares, sempre proferiu piadas sexistas, machistas e misóginas, mas, como lembra o historiador Saliba, quase sempre encarnando outros personagens, como oligarcas e nhonhôs: “Os preconceitos estavam lá, todos, alguns em toda a sua crueza, mas eram reversíveis, mudavam de lado a todo o momento, os papéis eram trocados, retomando o universo do burlesco”.
Depois de tudo o que houve, Rafinha tentou se explicar pela graça. Não usou de humor autoderrisório, praticado por mestres da stand-up comedy como George Carlin, incansável ao ridicularizar, entre outros, o fundamentalismo religioso de seu país, os Estados Unidos. Pelo contrário, o brasileiro reforçou o preconceito ao posar com duas mulheres de biquíni no Twitter, alegando sua felicidade na noite de suspensão do CQC. Em um vídeo, brincou de recusar carnes como baby beef e fraldinha, além de algo “para beber” numa churrascaria. Às perguntas que lhe fez o portal iG sobre o episódio, respondeu com receitas de bolo, evocando, em um processo de inversão, a censura ditatorial brasileira, que obrigava a imprensa a publicar textos culinários em lugar de notícias.
Não se sabe que tempo terá Rafinha para reinventar-se, ele que viu cancelados dois comerciais de que participaria e cinco apresentações pagas, para as quais cobraria até 20 mil reais por duas horas de trabalho. E é pena que, ao contrário de outras mulheres da história (os anos de conservadorismo teriam dificultado a ascensão feminina à condição humorística no Brasil, como acredita Saliba), Wanessa não tenha respondido à grosseria de Rafinha com uma boa piada. Humor de gênero está longe de constituir novidade. Foi praticado em frases como a da ativista Florence Kennedy: “Se homem ficasse grávido, o aborto seria um sacramento”. Ou por Ginger Rogers, exausta de ouvir falar da genialidade- de seu parceiro de foxtrote, Fred Astaire: “Faço tudo o que ele faz, só que de salto alto e andando para trás”.

No http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rosane-pavam-o-humor-do-coronel-rafinha-bastos.html

"Vivi os piores momentos da minha vida no enterro dela. Mas no julgamento… no julgamento eu senti ódio. Aquele advogado falou tanta coisa… Teve uma hora que ele disse bem assim: ‘O que ele (o marido) fez foi pouco. Onde já se viu, mulher casada sair sozinha e voltar para casa de madrugada!’. Que Deus me perdoe, mas senti ódio daquele homem… Fiquei pensando, como pode alguém ganhar dinheiro para fazer uma coisa dessas? Ele mentiu!”

As mulheres são assassinadas duas vezes , pelo algoz e por seu advogado

VIOLêNCIA CONTRA A MULHER »
Vítimas no banco dos réus
Durante o julgamento de homens que assassinaram suas companheiras, defensores usam estratégia moral de ataque à reputação e tentam convencer que os algozes agiram sob emoção
ANA MARIA CAMPOS
ADRIANA BERNARDES

Djanira Sousa não se conforma com os ataques que a irmã, Deijacy (E), sofreu no julgamento do homem que a matou (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Djanira Sousa não se conforma com os ataques que a irmã, Deijacy (E), sofreu no julgamento do homem que a matou

Quando começar o julgamento do ex-professor de direito Rendrik Vieira Rodrigues, 35 anos, no Tribunal do Júri de Brasília, a estudante Suênia Sousa de Farias, 24, assassinada com três tiros no último dia 30 — dois na cabeça e um no tórax —, também estará no banco dos réus. Esse é o desfecho de casos de vítimas de violência provocada pela fúria de quem não aceita a rejeição. Na tentativa de comover os jurados, advogados de defesa usam uma estratégia moral. A discussão passa a ser o comportamento de quem morreu, seu passado, hábitos, interesses e antigos relacionamentos. Quanto mais perto ela estiver do perfil condenável socialmente, mais distante seu agressor estará da prisão. Muitas vezes, na análise da conduta de um assassino, a mulher sofre, já no túmulo, uma nova agressão. Dessa vez, à sua história.

Por estratégia, o advogado de Rendrik, Andrew Farias, não antecipa a linha da defesa. Nesse caso, no entanto, não há dúvida quanto à autoria do crime. Resta discutir as circunstâncias. Em situações como essa, é preciso convencer o corpo de jurados de que o assassino confesso agiu sob forte emoção. A jurisprudência brasileira já não admite a tese de legítima defesa da honra, que prevaleceu no rumoroso episódio do julgamento do playboy Doca Street no fim da década de 1970 (veja Memória). Mas promotores de Justiça e advogados confirmam que a imagem e o comportamento da vítima e do réu no julgamento popular são fatores muitas vezes decisivos na hora de convencer os sete jurados.

No julgamento, Rendrik será apresentado como um homem trabalhador, cumpridor dos deveres, bom professor, respeitoso com os alunos, réu primário, pacífico, mas que teve um rompante de paixão. A vítima será julgada aos olhos dos jurados pelo relacionamento que manteve com ele. Serão expostos detalhes que só ela poderia rebater. “Nesses casos, em geral, ocorre uma tentativa de vitimização do réu”, analisa o procurador Alexandre Vitorino, que já atuou como defensor público em tribunais do júri. “É muito comum ocorrer a exposição das reputações em julgamentos de crimes sexuais”, aponta.

Desvantagem
Uma mulher que traiu ostensivamente o marido, teve muitos amantes ou não cuidava dos filhos começa em desvantagem, independentemente da violência que sofreu. O Código Penal, no artigo 121, abre uma brecha que advogados tentam usar. Trata-se do homicídio privilegiado. É considerada uma causa de diminuição da pena “se o agente comete o crime sob o domínio de forte emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima”. Nesse caso, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Basta que os jurados acreditem que o assassino agiu movido por uma paixão avassaladora, num ímpeto, como reação a uma forte ofensa do ser amado. “É muito difícil comprovar que um crime ocorreu nessas circunstâncias, mas se os jurados se convencerem, mesmo condenado, o réu sai praticamente livre do julgamento”, explica o promotor José Pimentel Neto, que atua no Tribunal do Júri de Brasília.

Depoimento
“Senti ódio dele”

“Quando minha irmã morreu, eu estava no Pará. Vim para Brasília na mesma hora, com um par chinelos e duas trocas de roupa numa mochila. Vivi os piores momentos da minha vida no enterro dela. Mas no julgamento… no julgamento eu senti ódio. Aquele advogado falou tanta coisa… Teve uma hora que ele disse bem assim: ‘O que ele (o marido) fez foi pouco. Onde já se viu, mulher casada sair sozinha e voltar para casa de madrugada!’. Que Deus me perdoe, mas senti ódio daquele homem… Fiquei pensando, como pode alguém ganhar dinheiro para fazer uma coisa dessas? Ele mentiu!”

Djanira Lima Sousa, 36 anos,
cozinheira, irmã de Deijacy, assassinada pelo marido aos 31 anos, em 2009  
 
No http://aposentadoinvocado1.blogspot.com/

sábado, 8 de outubro de 2011

Quando as mulheres são vítimas de piadas de mau gosto

"É este o recado passado agora pela emissora, pela mídia, que nem aponta essa “coincidência” de desculpas só serem pedidas a maridos, e pelo silêncio cúmplice dos outros integrantes do programa: sim, Rafinha errou, e será punido por isso. Ele ofendeu homens."

 

RAFINHA SUSPENSO DO CQC POR OFENDER GENTE QUE IMPORTA

Fico feliz que o humorista Rafinha Bastos tenha sido suspenso do CQC. Por mim, ele poderia ir pros States fazer stand up comedy (seu sonho), e não voltar mais. Porém, a direção da Band ainda não sabe se ele retornará ou não ao programa. Talvez seja desnecessário que eu diga que, por mim, todo o elenco do CQC poderia ir passear nos EUA e ficar por lá. Eu gostaria que houvesse alternativas inteligentes na TV. O CQC não é alternativa de nada. É mais do mesmo, um eterno perpetuador de preconceitos.
Mas vamos a uma rápida recapitulação do que Rafinha aprontou nos últimos meses, dentro e fora do CQC:
- Em maio, na sua casa de shows, fez a infame piada do estupro, reproduzida na revista Rolling Stones: “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço”.
- Ainda em maio, os três integrantes do CQC 3.0, mas principalmente Rafinha, ridicularizaram os mamaços e a amamentação em público, dizendo e rindo das seguintes asneiras: mães que amamentam à luz do dia devem jogar um lencinho em cima ou ir ao banheiro, e não “enfiar a teta nas caras das pessoas”; mamilo parece rocambole; quem “mostra a teta é quem não deveria mostrar. Nunca é aquela gostosa [...], é aquela mulher que não precisa de um sutiã, precisa de joelheira”. (Lembrando apenas que Marcelo Tas não gostou da minha crítica e ameaçou me processar. Retratar-se por ser a principal cara de um programa que insulta mães, jamais. Ameaçar com processo judicial quem discorda, tudo bem).
- Em agosto, Rafinha mirou contra Daniela Albuquerque, apresentadora da RedeTV: “Se fosse eu já dava uma cotovelada. É octógono, cadela! Põe esse nariz no lugar”.
- Na semana passada, Rafinha falou sobre Wanessa Camargo grávida: “Eu comeria ela e o bebê. Não tô nem aí”.
Esqueci alguma pérola da “figura mais influente do Twitter”, desse campeão do preconceito escancarado, digo, do politicamente incorreto? Vejamos quais foram os alvos dessas piadas: mulheres feias, vítimas de estupro, mães feias, mulheres que amamentam em público, mulheres exibicionistas, Daniela, Wanessa e o feto que carrega.
Ok. Por mais que as pessoas sensatas estejam comemorando a suspensão de Rafinha, convém lembrar que o CQC em geral, e Rafinha em particular, se desculparam em apenas duas ocasiões. Pela piada de estupro, Rafinha foi chamado a depor pelo Ministério Público, não quis falar nada à imprensa, e insistiu que sua profissão é mesmo fazer humor. Sobre amamentação em público, o CQC 3.0, mais uma vez, se fez de tapado e disse que seus integrantes são a favor da amamentação ― como se tivesse sido esta a questão (ademais, quem tira sarro de mulheres que amamentam em público, por tabela, condena a amamentação).
Já pela grosseria que cometeu contra Daniela Albuquerque, Rafinha pediu perdão. Por quê? Ahn, não por ter chamado uma mulher de cadela ou por usar linguagem violenta (“eu já dava uma cotovelada”), mas porque Daniela não é uma mulher qualquer (já que ofender uma mulher sem nome e em marido influente tá liberado) -- ela é esposa do dono da RedeTV.
A gota d'água foi esse chiste com Wanessa Camargo. Por causa da piadinha, o astro do futebol Ronaldo, que é sócio de Marcus Buaiz, marido da cantora, decidiu se afastar do CQC. Hélio Vargas, diretor artístico e de programação, ligou pessoalmente para Buaiz para pedir desculpas. Na sexta, e só na sexta, um dos integrantes do CQC, Marco Luque, amigo de Marcus, divulgou uma nota que merece ser lida: “Sobre a piada feita pelo Rafinha Bastos, no programa 'CQC' que foi ao ar no dia 19 de setembro, eu, como pai, entendo e apoio a revolta e a indignação do Marcus Buaiz, um homem que conheço e respeito. Se fizessem uma piada com este contexto sobre a minha família, certamente ficaria ofendido. Com certeza uma piada idiota e de muito mau gosto”.
Ué, mas não era “só uma piada”? Não eram apenas as feminazis radicais que invocavam com o pobre comediante, impedindo-o de fazer humor e prosperar na sua profissão? Não era que qualquer crítica a uma piada era censura? Não era que o humor não deve ter limites? O que mudou? Deus mandou um memorando à população e esqueceram de me avisar?
O mais interessante na nota de Luque é que ele não parece se importar muito com os alvos da piada de “muito mau gosto”, que seriam, afinal, Wanessa e o bebê dela. Ele nem cita Wanessa na nota. E obviamente que ele não se revolta pela piada por atingir tantas gestantes anônimas. Não, nada disso. Ele reprova a piada “como pai”, e entende a indignação não de Wanessa, de mulheres em geral e de feministas em particular, mas do marido de Wanessa, que — ele sim — Luque conhece e respeita.
É fascinante que todas as vezes que as tiradas rafísticas causaram furor a ponto de merecerem pedido de desculpas foram quando homens se chatearam: o dono da Rede TV, marido de Daniela; Ronaldo, amigo de Marcus; Marcus, marido de Wanessa; Luque, amigo de Marcus. Foi mal aí, amigos e colegas, pais e maridos!
Sabe o que isso lembra, né? Lembra épocas não tão antigas em que um homem podia devolver a esposa ao pai se descobrisse que ela não era mais virgem. Em que o estuprador de uma mulher tinha que indenizar o marido. Em que aos homens permitia-se tudo, desde que não danificasse a propriedade masculina, e às mulheres, nada.
É este o recado passado agora pela emissora, pela mídia, que nem aponta essa “coincidência” de desculpas só serem pedidas a maridos, e pelo silêncio cúmplice dos outros integrantes do programa: sim, Rafinha errou, e será punido por isso. Ele ofendeu homens.
No http://escrevalolaescreva.blogspot.com/

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Prêmio Nobel da Paz para três mulheres:Tawakkul Karman, do Iêmen, Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee, ambas liberianas.

Três mulheres recebem o Prêmio Nobel da Paz

Tawakkul Karman, do Iêmen, Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee, ambas liberianas,  receberão o Prêmio Nobel da Paz de 2011, anunciou nesta sexta-feira o comitê Instituto Norueguês do Nobel, que entrega o prêmio, em Oslo, na Noruega.

O prêmio foi concedido a elas por "sua luta não violenta pela segurança e pelos direitos das mulheres na participação do processo da construção da paz".

"Não podemos alcançar a democracia e paz duradoura no mundo ao menos que as mulheres obtenham as mesmas oportunidades que os homens para influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade", disse o comitê.

O anúncio lembrou que em 2000, o Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução que tornava, pela primeira vez, a violência contra mulheres em conflitos armados um assunto de segurança internacional. "Isso destacava a necessidade de as mulheres se tornarem participantes em pé de igualdade com os homens nos processos de paz".

Ellen Johnson Sirleaf foi a primeira mulher a ser eleita democraticamente em uma nação africana, a Libéria. Desde que tomou posse, em 2006, ela vem contribuindo para assegurar a paz no país, segundo o anúncio, para promover o desenvolvimento social e econômico e fortalecer o status da mulher na sociedade.

Leymah Gbowee mobilizou e organizou as mulheres independentemente de diferenças étnicas e religiosas na Libéria para colocar um fim na guerra no país e assegurar a participação feminina nas eleições. Ela vem promovendo a influência da mulher no oeste africano.

Tawakkul Karman, mesmo nas situações mais difíceis antes e durante a Primavera Árabe, teve um papel de liderança na luta pelos direitos das mulheres e pela busca da democracia e da paz no Iêmen.

"O comitê espera que Sirleaf, Gbowee e Karman ajudem a colocar um fim na opressão das mulheres que ainda ocorre em muitos países e a deixar claro o grande potencial que as mulheres representam para a democracia e para a paz".

Leia mais em: O Esquerdopata
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

No http://www.vermelho.org.br/charges.php?id_param_charge=616&pagina=1

Charge de Jarbas para o Diário de Pernambuco

No http://esquerdopata.blogspot.com/

Merval ou Tiririca?

Roubar é crime?

O Homem e A Mulher


O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.
Victor Hugo

"Ela teve a coragem de declarar— apesar das reações corporativas — a indignação popular contra a impunidade."

A primavera de Eliana

Domingo 2, outubro 2011
Saber que existe uma corregedora nacional de Justiça como Eliana Calmon, capaz de apontar um dedo crítico em direção à própria classe, nos dá a esperança de ter uma Justiça consciente de que nenhum poder está blindado. Ela teve a coragem de declarar— apesar das reações corporativas — a indignação popular contra a impunidade. Essa indignação, facilmente identificada no território livre das redes sociais, encontra enorme resistência no mundo real. A bandeira de Calmon é um fio de esperança para quem aguarda mudanças efetivas na sociedade brasileira.
Saber que existe uma disposição dos governos para identificar e punir corruptos, embora os políticos ainda sejam levianos ao proteger seus pares no Congresso, também nos deixa mais otimistas.
A voz das multidões reverbera mais nas redes sociais, no espaço virtual, hoje tão acolhedor aos desabafos contra todo tipo de safadeza, sobretudo a dos políticos. Saber que esse é um caminho sem volta, que a revolta popular, aos poucos, ganha uma feição mais prática, mais ruidosa e menos corporativa, não financiada por partidos políticos e sindicatos vendidos, já é um alento.
Ainda sob a ameaça de ser declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, a Lei da Ficha Limpa pode ser interpretada tambem como um feliz e promissor começo, porque é apenas e de fato um começo. Da mesma forma, as manifestações populares, como a que se viu em Brasília na celebração do Sete de Setembro e outros protestos menores pelo país, podem ser consideradas o início da busca por nossa cidadania. Realmente poderia ter sido uma grande festa, mas a celebração do aniversário da Ficha Limpa na semana passada foi tão tímida quanto os efeitos práticos que ela produziu até agora. Não quero, com isso, desmerecer a grandiosidade do ato de recolher mais de 1 milhão de assinaturas e conseguir que o Congresso transformasse um projeto de iniciativa popular numa lei complementar — só o fato de fazer valer a vontade do eleitor já é um belo esforço e um mérito do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e outras entidades da sociedade civil.
O recente leilão da casa construída com dinheiro público por Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção no GDF, é uma prova concreta de que é possível restituir aos cidadãos o que foi roubado deles — mesmo que a mansão não tenha rendido o lucro que teria qualquer outra construção daquele porte no mercado imobiliário de Brasília. A pouca valorização do imóvel e o número reduzido de interessados são sinais de que a mancha da corrupção incomoda. Mais do que isso, ela marca de maneira perene.
Ainda que as iniciativas contra a ladroagem estejam em terreno movediço, sempre sujeitas a afundar com o peso do corporativismo, a tendência é que um país em crescimento como o Brasil, hoje um ímã das atenções mundiais, também evolua do ponto de vista democrático, revise seu sistema político e obtenha um visto permanente para o lugar onde se situam as grandes nações, nas quais a corrupção é vista como um flagelo e punida com cadeia.
Por  
No http://osamigosdobrasil.com.br/2011/10/02/a-primavera-de-eliana/