domingo, 7 de outubro de 2012

Gabriela, sobre certos casamentos: “Me livrei de sapato de salto, vestido de seda, de tanta obrigação. Queria ser só eu... Gabriela. [...] Olha, moça. Eu era passarinho, presa na gaiola. E tu abriu as porta. Agora posso voar”.

GABRIELA SE LIBERTA EM CAPÍTULO IMPECÁVEL

Aliviada, Gabriela chora na cama que não é dela

O capítulo de Gabrielaontem foi o melhor até agora. Claro, não peguei a novela desde o começo. Demorei porque é obrigação demais seguir um programa desses, ainda mais pra alguém que passa meses sem ligar a TV. Comecei a ver a novela justamente porque, de um lado, tinha gente falando das vantagens de mostrar a vida (absolutamente miserável) das mulheres nos anos 20, em Ilhéus, e, por outro, gente pedindo minha opinião sobre a “apelação” de exibir cenas de sexo e nudez (só feminina) em praticamente todo capítulo. 
Confesso que a novela me cativou imediatamente. Os atores estão ótimos, a trilha sonora deve estar entre as melhores da história da televisão brasileira (só tem música fantástica; minha única queixa é que são tocadas alto demais e às vezes encobrem os diálogos), e a história é toda feminista. Claro, gente imbecilpode aproveitar apenas o “Esta noite eu vou lhe usar” e fazer de um personagem desprezível e amargurado como o Coronel Jesuíno um ídolo, mas Gabriela não deixa margem de manobra para o fato que as mulheres da época (e não só elas) não tinham como ser felizes. Então toda aquela lenga-lenga de “Putz, o feminismo ferrou a mulherada, que antes adorava cuidar da casa e ser comandada pelo pai e depois pelo marido” vai por água abaixo. 
Vemos Sinhazinha, uma esposa fiel, religiosa, prendada, enfim, modelo de “mulher honrada”, que nunca teve orgasmo até encontrar um amante. Quando encontra, tem alguns momentos de felicidade e prazer (e também é estuprada pelo marido nesse meio tempo), até ser assassinada pelo esposo, que quer lavar sua honra. Só pessoas muito ruins das ideias podem ser fãs do Coronel Jesuíno.
Vemos também uma personagem abertamente feminista, Malvina, que com coragem enfrenta várias convenções. E vemos o crescimento de Jerusa, que deixa de ser uma menininha assustada. A cena em que Gabriela passa a dançar na rua, e Jerusa é a segunda a atirar seus sapatos de salto alto pros céus (mostrado em câmera lenta, como se fosse um instante épico -- e é) e juntar-se a ela, já diz muito sobre sua mudança.
E chegamos a Gabriela, o papel-título. Quando comecei a ver a novela, a cozinheira só me incomodava. Certo, adorava seu espírito livre, seu sorriso aberto, seu talento na cozinha (tenho grande admiração por todo mundo que consegue criar coisas com as mãos, de costura a casas), sua vontade de transar sem pudor. Mas ela era simpática demais. Estava sempre disposta a agradar seja lá quem fosse. Não sei quem fez essa imagem, mas concordo com ela.
Eu pensava, e devo ter gritado com a TV: pô, Gabriela, imponha-se! Seja mais incisiva com um cafajeste como Tonico (adorável, tenho que admitir. Como suas cenas são sempre cômicas, e como Marcelo Serrado brilha no papel, eu até simpatizo um pouco com ele. E com sua mulher, Olga, finamente interpretada por Fabiana Karla. Apesar dos chistes gordofóbicos, eles se merecem). E por que fazer tudo que Nacib quer? Fiquei indignada quando Gabriela aceita casar-se com ele, mesmo não querendo, mesmo sabendo que o casamento naquele contexto é uma prisão pra mulher. E ela casa só porque ele fica tristinho com a recusa, e ela não quer ver o "moço bonito" chateado!
A partir de realizado o sagrado matrimônio, suas vidas mudam completamente. Nacib fica obcecado em dar tudo do bom e do melhor pra Gabriela, tentando transformar o bicho do mato numa dama da sociedade. Gabriela odeia tudo que Nacib lhe dá -– os sapatos de salto alto, que ela nunca aprende a domar (somos duas!), os vestidos de seda, um passarinho engaiolado e seu simbolismo óbvio. Mas ela não quer ferir os sentimentos do esposo e se esforça em obedecer. É incrível como Nacib (Humberto Martins) fica até feio! Ele não era fisicamente desagradável antes com aquele bigodão, mas quando passa a se comportar como “quem manda aqui sou eu e não tem discussão”, vira um ogro. E um sem noção, que não percebe que está matando tudo que lhe atraía em Gabriela. Rapidamente a moça abandona o sorriso, erra a mão na comida, esquece o tesão. Tudo se transforma num martírio, e a atuação de Juliana Paes nessa transformação é admirável.
E eis que chegamos ao capítulo de ontem, que foi simplesmente esplêndido. Nacib pega Gabriela na cama com Tonico (cena aqui). De arma em punho, decide não atirar. Tonico foge de cueca pela cidade, depois apanha da esposa e do pai (e o tom é leve e a gente gosta). Gabriela e Nacib ficam arrasados. Ela vai morar na casa da vizinha. Ele recebe a visita da irmã, que leva todos os vestidos finos da ex. Quando pergunta se pode levar o perfume, Nacib responde de forma poética: “Gabriela tinha cheiro de cravo, de canela, de cozinha. Precisava não de perfume".
Gabriela errou sim. Errou ao se casar com Nacib, mesmo sabendo que isso a faria perder o que mais preza, sua liberdade. Errou não por trair Nacib -– a meu ver, alguém que age como ele agiu está quase pedindo pra ser traído -–, mas por traí-lo com um mau caráter que fingiu ser sensível para seduzi-la. Os errros de Nacib foram muito mais graves que o adultério de Gabriela. Aquilo de dar-lhe um par de sapatos de presente de natal foi a gota d'água. Ele já havia notado que Gabriela prefere mil vezes um cachorrinho. Ou uma estrela.
Zarolha, a quenga que armou o esquema para que Nacib desse o flagra, vai até onde Gabriela está para se vangloriar de ter-lhe tirado o “turquinho”. Ela conta, orgulhosa, sobre toda a armação, com quase todos os objetivos cumpridos, só faltando agora fisgar Nacib. Gabriela ouve tudo calada, e finalmente se levanta e vai até Zarolha (veja a cena). 
Nós conhecemos o clichê e somos condicionadas pra isso desde crianças. O clichê diz que mulheres que disputam o mesmo homem devem se odiar. Portanto, eu não sabia o que Gabriela ia fazer ao ficar cara a cara com Zarolha, mas não ficaria espantada se ela lhe desse um tapa. Afinal, Gabriela foi humilhada, enganada, e quase morta por causa dessa armação. Mas não. 
Calma, mas sofrida, ela agradece Zarolha por tê-la libertado do casamento. “Me livrei de sapato de salto, vestido de seda, de tanta obrigação. Queria ser só eu... Gabriela. [...] Olha, moça. Eu era passarinho, presa na gaiola. E tu abriu as porta. Agora posso voar”. Essa reação deixa Zarolha (Leona Cavalli em seu melhor momento) atordoada. Com os olhos marejados, e com uma tentativa de sorriso, ela só pode responder: “Tu pensa de uma maneira...diferente”. Gabriela ainda pede para que Zarolha cuide de Nacib. Em vez da esperada rivalidade, cria-se uma cumplicidade entre as duas. Uma não tem raiva da outra. 
A delicadeza de toda essa cena me deixou vibrando. Ela passa uma mensagem incrivelmente feminista de que mulheres, numa sociedade patriarcal como a nossa, não têm motivo para brigar entre si. E de que não podemos nos deixar aprisionar dentro de um relacionamento. E isso não tem nada a ver com trair. Tem a ver com ter que mudar até virar aquilo que você detesta, ter que obedecer sem questionar, ter que se encaixar num padrão. Ser “moça direita”, nessa situação, tá mais pra uma sentença de morte. Duvida? Pergunte a Dona Sinhazinha.
No http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2012/10/gabriela-se-liberta-em-capitulo.html

Âncora de TV Jennifer Livingston nos ensina como reagir ao bulling

"Nós somos melhores que aquele email. Nós somos melhores que os agressores que tentarão nos derrubar. E isso é o que eu deixo a vocês: a todas as crianças por aí que se sentem perdidas, que estão lutando com seu peso, com a cor da sua pele, sua orientação sexual, sua necessidade especial, e até mesmo com as espinhas no seu rosto, me escutem. Não deixem sua autoestima ser definida por bullies. Aprendam com a minha experiência que as palavras cruéis de uma pessoa não são nada comparadas ao brado de muitos."


Tradução:

Eu quero parar um minuto para tratar de um acontecimento que se tornou assunto falado na comunidade no fim de semana passado, especialmente no Facebook, e que diz respeito a mim.
Na sexta-feira eu recebi o seguinte email de um homem da cidade de La Crosse, marcado com o assunto “Responsabilidade Social”, que diz o seguinte:
Olá Jennifer,
É pouco comum que eu assista a seu programa matutino, mas fiz isso hoje por alguns minutos. Fiquei realmente surpreso ao perceber que a sua condição física não melhorou nada durante todos esses anos. Certamente você não se considera um exemplo adequado aos jovens da comunidade, especialmente às garotas. A obesidade é uma das piores escolhas que uma pessoa pode fazer, e um dos mais perigosos hábitos a se manter. Deixo-lhe essa observação esperando que você reconsidere sua responsabilidade como personalidade pública local, para apresentar e promover um estilo de vida saudável.
Nós que fazemos parte dos meios de comunicação recebemos uma grande quantidade de críticas dos nossos telespectadores através dos anos, e sabemos que é uma consequência de se trabalhar com o público. Mas esse email foi mais que isso. Enquanto eu tentei meu melhor para rir desse ataque tão doloroso a minha aparência, meus colegas e entes queridos não conseguiram fazer o mesmo, especialmente meu marido, âncora do jornal das 6h10min, Mike Thompson.
Mike postou esse e-mail na página da WKBT no Facebook, e o que se seguiu tem sido verdadeiramente inspirador. Centenas e centenas de pessoas tiraram um tempo de seus dias não só para levantar meu espírito, mas para se posicionar contra ataques desse tipo. Vamos falar mais disso em um segundo, mas primeiro, a verdade é que estou acima do peso. Você poderia me chamar de gorda e até mesmo de obesa num diagnóstico médico. Mas eu pergunto à pessoa que me escreveu o e-mail: você acha que eu não sei? Acha que suas palavras cruéis estão mostrando algo que eu não vejo? Você não me conhece. Você não é meu amigo. Você não faz parte da minha família, e você admitiu que você sequer assiste meu programa, então você não sabe nada sobre mim além do que você vê pelo lado de fora, e eu sou muito mais que um número numa balança.
E tem algo que eu gostaria que todos nós aprendêssemos desse acontecimento. Se você ainda não sabe, outubro é o Mês Nacional Contra o Bullying, que é um problema que vem crescendo diariamente em nossas escolas e na internet. É uma questão importante na vida dos jovens hoje em dia, e eu, sendo mãe de três garotinhas, fico aterrorizada. Mas eu sou uma mulher adulta e felizmente tenho uma pele grossa, literalmente, como o e-mail assinalou, e da outra forma também.
Sendo assim, as palavras deste homem não significam nada para mim. O que me deixa furiosa mesmo é que há crianças que não adquiriram ainda esta segurança. Que recebem e-mails tão críticos quanto este que eu recebi, e às vezes até piores, todo santo dia. A internet se tornou uma arma. Nossas escolas tornaram-se campos de guerra. E esse tipo de comportamento é aprendido e disseminado por pessoas como o homem que me escreveu o e-mail.
Se você na sua casa está falando da apresentadora gorda do telejornal, adivinhe: seus filhos provavelmente vão chamar alguém de gordo na escola. Nós precisamos ensinar nossos filhos a serem gentis, e não ásperos, e nós temos que fazer isso dando o exemplo.
Tantos de vocês vieram em minha defesa nos últimos quatro dias que estou impressionada com suas palavras. Aos meus colegas e amigos de hoje e de anos atrás, minha família, meu marido incrível, e tantos outros de vocês que provavelmente eu nunca terei a oportunidade de conhecer; eu jamais serei capaz de agradecê-los o bastante pelo apoio que vocês me deram. E nós estamos nos manifestando contra esse agressor.
Nós somos melhores que aquele email. Nós somos melhores que os agressores que tentarão nos derrubar. E isso é o que eu deixo a vocês: a todas as crianças por aí que se sentem perdidas, que estão lutando com seu peso, com a cor da sua pele, sua orientação sexual, sua necessidade especial, e até mesmo com as espinhas no seu rosto, me escutem. Não deixem sua autoestima ser definida por bullies. Aprendam com a minha experiência que as palavras cruéis de uma pessoa não são nada comparadas ao brado de muitos.
Voltaremos em instantes.

No http://espacoplussize.com/jennifer-livingston-um-exemplo-a-ser-seguido/

'Lula é um democrata, de um partido estabelecido. As credenciais democráticas dele são perfeitas'." O escândalo do mensalão não influenciou seu voto: em 2006, já como relator do processo, escolheu novamente o candidato Lula, que concorria à reeleição. "Eu não me arrependo dos votos, não. As mudanças e avanços no Brasil nos últimos dez anos são inegáveis. Em 2010, votei na Dilma."


Relator do mensalão revela voto em Lula e Dilma, diz que a imprensa trata escândalos com dois pesos e duas medidas e que o racismo está estampado na TV


Mensalão O Julgamento

Joaquim, o anti-herói
Relator do mensalão revela voto em Lula e Dilma, diz que a imprensa trata escândalos com dois pesos e duas medidas e que o racismo está estampado na TV 

Lula Marques/Folhapress
O ministro Joaquim Barbosa em seu gabinete no STF
O ministro Joaquim Barbosa em seu gabinete no STF
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O "dia mais chocante" da vida de Joaquim Benedito Barbosa Gomes, 57, segundo ele mesmo, foi 7 de maio de 2003, quando entrou no Palácio do Planalto para ser indicado ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
A ocasião era especial: ele seria o primeiro negro a ser nomeado para o tribunal. 
"Eu já cheguei na presença de José Dirceu [então ministro da Casa Civil], José Genoino [então presidente do PT], aquela turma toda, para o anúncio oficial. Sempre tive vida reservada. Vi aquele mar de câmeras, flashes...", relembrava ele em seu gabinete na terça-feira, 2. 
No dia seguinte à entrevista com a Folha, e nove anos depois da data memorável de sua nomeação, Joaquim Barbosa condenou Dirceu e Genoino por corrupção. 
Para conversar com o jornal, impôs uma condição: não falar sobre o processo, ainda em andamento no STF. 
O TELEFONE TOCA 
Barbosa diz que foi Frei Betto, que o conhecia por terem participado do conselho de ONGs, que fez seu currículo "andar" no governo. 
"Eu passava temporada na Universidade da Califórnia, Los Angeles. Encontrei Frei Betto casualmente nas férias, no Brasil. Trocamos cartões. Um belo dia, recebo e-mail me convidando para uma conversa com [o então ministro da Justiça] Márcio Thomaz Bastos em Brasília." Guarda a mensagem até hoje. 
"Vi o Lula pela primeira vez no dia do anúncio da minha posse. Não falei antes, nem por telefone. Nunca, nunca." 
Por pouco, não faltou à própria cerimônia. "Veja como esse pessoal é atrapalhado: eles perderam o meu telefone [gargalhadas]." 
Dias antes, tinha sido entrevistado por Thomaz Bastos. "E desapareci, na moita." Isso para evitar bombardeio de candidatos à mesma vaga. 
"Na hora de me chamar para ir ao Planalto, não tinham o meu contato." Uma amiga do governo conseguiu encontrá-lo. "Corre que os caras vão fazer o seu anúncio hoje!" 
Depois, continuou distante de Lula. Não foi procurado nem mesmo nos momentos cruciais do mensalão. "Nunca, nem pelo Lula nem pela [presidente] Dilma [Rousseff]. Isso é importante. Porque a tradição no Brasil é a pressão. Mas eu também não dou espaço, né?" 
O ministro votou em Leonel Brizola (PDT) para presidente no primeiro turno da eleição de 1989. E depois em Lula, contra Collor. Votou em Lula de novo em 2002. 
"Vou te confidenciar uma coisa, que o Lula talvez não saiba: devo ter sido um dos primeiros brasileiros a falar no exterior, em Los Angeles, do que viria a ser o governo dele. Havia pânico. Num seminário, desmistifiquei: 'Lula é um democrata, de um partido estabelecido. As credenciais democráticas dele são perfeitas'." 
O escândalo do mensalão não influenciou seu voto: em 2006, já como relator do processo, escolheu novamente o candidato Lula, que concorria à reeleição. 
"Eu não me arrependo dos votos, não. As mudanças e avanços no Brasil nos últimos dez anos são inegáveis. Em 2010, votei na Dilma." 
DE LADO 
No plenário do STF, a situação muda. Barbosa diz que "um magistrado tem deveres a cumprir" e que a sociedade espera do juiz "imparcialidade e equidistância em relação a grupos e organizações". 
Sua trajetória ajuda. "Nunca fiz política. Estudei direito na Universidade de Brasília de 75 a 82, na época do regime militar. Havia movimentos significativos. Mas estive à parte. Sempre entendi que filiação partidária ou a grupos, movimentos, só serve para tirar a sua liberdade de dizer o que pensa." 
VENCEDOR E VENCIDO 
Barbosa gosta de dizer que não tem "agenda". Em 2007, relatou processo contra Paulo Maluf (PP-SP). Delfim Netto não era encontrado para depor como testemunha. Barbosa propôs que o processo continuasse. Foi voto vencido no STF. O caso prescreveu. 
No mesmo ano, relatou processo em que o deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) era acusado de tentativa de homicídio. O réu renunciou ao mandato e perdeu o foro privilegiado. Barbosa defendeu que fosse julgado mesmo assim. Foi voto vencido no STF. 
Em 2009, como relator do mensalão do PSDB, propôs que a corte acolhesse denúncia contra o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo. Quase foi voto vencido no STF -ganhou por 5 a 3, com três ministros ausentes. 
Dois anos antes, relator do mensalão do PT, propôs que a corte acolhesse denúncia contra José Dirceu e outros 37 réus. Ganhou por 9 a 1. 
NOVELA RACISTA 
Barbosa já disse que a imprensa "nunca deu bola para o mensalão mineiro", ao contrário do que faz com o do PT. "São dois pesos e duas medidas", afirma. 
A exposição na mídia não o impede de fazer críticas até mais ácidas. 
"A imprensa brasileira é toda ela branca, conservadora. O empresariado, idem", diz. "Todas as engrenagens de comando no Brasil estão nas mãos de pessoas brancas e conservadoras." 
O racismo se manifesta em "piadas, agressões mesmo". "O Brasil ainda não é politicamente correto. Uma pessoa com o mínimo de sensibilidade liga a TV e vê o racismo estampado aí nas novelas." 
Já discutiu com vários colegas do STF. Mas diz que polêmicas "são muito menos reportadas, e meio que abafadas, quando se trata de brigas entre ministros brancos". 
"O racismo parte da premissa de que alguém é superior. O negro é sempre inferior. E dessa pessoa não se admite sequer que ela abra a boca. 'Ele é maluco, é um briguento'. No meu caso, como não sou de abaixar a crista em hipótese alguma..." 
Barbosa, que já escreveu um livro sobre ações afirmativas nos EUA, diz que o racismo apareceu em sua "infância, adolescência, na maturidade e aparece agora". 
Há 30 anos, já formado em direito e trabalhando no Itamaraty como oficial de chancelaria -chegou a passar temporada na embaixada da Finlândia-, prestou concurso para diplomata. Passou. Foi barrado na entrevista. 
DE IGUAL PARA IGUAL 
É o primeiro filho dos oito que o pai, Joaquim, e a mãe, Benedita, tiveram (por isso se chama Joaquim Benedito). 
Em Paracatu, no interior de Minas, "Joca" teve uma infância "de pobre do interior, com área verde para brincar, muito rio para nadar, muita diversão". Era tímido e fechado. 
A mãe era dona de casa. O pai era pedreiro. "Mas ele era aquele cara que não se submetia. Tinha temperamento duro, falava de igual para igual com os patrões. Tanto é que veio trabalhar em Brasília, na construção, mas se desentendeu com o chefe e foi embora", lembra Joaquim. 
O pai vendeu a casa em que morava com a família e comprou um caminhão. Chegou a ter 15 empregados no boom econômico dos anos 70. "E levava a garotada para trabalhar." Entre eles, o próprio Joaquim, então com 10 anos. 
RUMO A BRASILIA 
No começo da década, Barbosa se mudou para a casa de uma tia na cidade do Gama, no entorno de Brasília. 
Cursou direito, trabalhou na composição gráfica de jornais, no Itamaraty. Ingressou por concurso no Ministério Público Federal. 
Tirou licenças para fazer doutorado na Universidade de Paris-II. E passou períodos em universidades dos EUA como acadêmico visitante. Fala francês, inglês e alemão. 
Hoje, Barbosa fica a maior parte do tempo em Brasília, onde moram a mãe, os sete irmãos e os sobrinhos. O pai já morreu. Benedita é evangélica e "superpopular". Em seu aniversário de 76 anos, juntou mais de 500 pessoas. 
O ministro tem também um apartamento no Leblon, no Rio, cidade onde vive seu único filho, Felipe, 26. Se separou há pouco de uma companheira depois de 12 anos de relacionamento. 
PÚBLICO 
A Folha pergunta se Barbosa não tem o "cacoete da condenação" por ter feito carreira no Ministério Público, a quem cabe formular a acusação contra réus. 
"De jeito nenhum. O que eu tenho do MP é esse espírito de preocupação com a coisa pública. Mesmo porque não morro de amores por direito penal. Sou especialista em direito público." 
DEVER 
Nega que tenha certa aversão por advogados [ver página ao lado]. E nega também que tenha prazer em condenar, sem qualquer tipo de piedade em relação à pessoa que perderá a liberdade. 
"É uma decisão muito dura. Mas é também um dever." 
"O problema é que no Brasil não se condena", diz. "Estou no tribunal há sete anos, e esta é a segunda vez que temos que condenar. Então esse ato, para mim e para boa parte dos ministros do STF, ainda é muito recente." 
Diante de centenas de grandes escândalos de corrupção no Brasil, e de só o mensalão do PT ter chegado ao final, é possível desconfiar que a máquina de investigação e punição só funcionou para este caso e agora será novamente desligada? 
"Não acredito", diz Barbosa. "Haverá uma vigilância e uma cobrança maior do Supremo. Este julgamento tem potencial para proporcionar mudanças de cultura, política, jurídica. alguma mudança certamente virá." 
MEQUETREFE 
O caso Collor, por exemplo, em que centenas de empresas foram acusadas de pagar propina para o tesoureiro do ex-presidente, chegou "desidratado" ao STF, diz o ministro. "Tinha um ex-presidente fora do jogo completamente. E, além dele, o quê? O PC, que era um mequetrefe." 
O país estava "mais próximo do período da ditadura" e o Ministério Público tinha recém-conquistado autonomia, com a Constituição de 1988. Até 2001, parlamentares só eram processados no STF quando a Câmara autorizava. "Tudo é paulatino. Mas vivemos hoje num país diferente." 
PONTO FINAL 
Desde o começo do julgamento do mensalão, o ministro usa um escapulário pendurado no pescoço. "Presente de uma amiga", afirma. 
Depois de flagrado cochilando nas primeiras sessões, passou a tomar guaraná em pó no começo da tarde. 
Diz que não gosta de ser tratado como "herói" do julgamento. "Isso aí é consequência da falta de referências positivas no país. Daí a necessidade de se encontrar um herói. Mesmo que seja um anti-herói, como eu."

sábado, 6 de outubro de 2012

"Serão eleições livres e democráticas as de domingo? Ainda não. Porque estarão condicionadas pelo poder econômico. Candidato que mereceu robustos recursos financeiros se tornou mais conhecido que os demais. Sua imagem, maquiada pelas campanhas publicitárias, que têm poder até de transformar demônios em anjos, se projetou mais amplamente na opinião pública. Quem não contou com recursos certamente merecerá votos que irão favorecer os candidatos mais conhecidos de sua legenda ou partido. Enquanto não pressionarmos para que haja reforma política já, temos que dançar conforme a música do atual sistema político. "


Faça bom uso de seu voto













Reproduzido do Brasil de Fato
Escrito por Frei Betto - Neste domingo, 7 de outubro, eleitores brasileiros irão às urnas – exceto em Brasília, Distrito Federal – para eleger novos prefeitos e vereadores
O voto é uma conquista do direito de o povo decidir quem, em seu nome, deve ocupar as instâncias de poder. Durante séculos, a população ficou submetida a governos monárquicos, absolutistas, que nem sequer admitiam a existência de parlamento. A sucessão no trono dependia apenas da linhagem familiar. Como ainda hoje ocorre na Arábia Saudita, com o apoio dos EUA, e na Coreia do Norte, com o apoio da China. 
A Revolução Francesa, em 1789, cortou a cabeça dos reis e instalou um governo popular. Já a coroa britânica havia admitido o parlamento desde o século 13. Assim, aos poucos o poder deixou de ser monopólio de uma família ou casta para ser ocupado por aqueles escolhidos pelo voto popular nas urnas. 
Embora nosso atual sistema democrático esteja longe da perfeição, foi graças a ele que, nas últimas décadas, se elegeram presidentes de países da América Latina tantas personalidades incômodas aos interesses dos EUA no Continente, que sempre tratou a região como se fosse sua colônia. Vide o protesto de Obama às medidas protecionistas tomadas pela presidente Dilma em prol dos produtos brasileiros. 
É o preço que a Casa Branca paga, hoje, por propalar tanto as virtudes da democracia e ter implantado ditaduras militares em nosso Continente, inclusive no Brasil (1964-1985). Quem conhece a história dos EUA sabe como Tio Sam sempre foi mestre em pregar uma coisa e fazer outra, exatamente o contrário. 
No próximo domingo, o eleitor brasileiro decide quem haverá de governar seu município – o novo prefeito – e quem haverá de governar o governante – os novos vereadores. 
Há quem prefira não votar, votar em branco ou anular o voto. Esses estarão, de fato, colocando sua azeitona na empadinha dos candidatos preferidos nas pesquisas eleitorais, em geral os mais apoiados pelo poder econômico. 
Em política não há indiferença. Participa-se por omissão ou opção. E quem não coloca na urna um voto válido, que pesa na matemática do quociente eleitoral, acaba reforçando, com seu voto inválido, os candidatos à frente nas pesquisas eleitorais. 
Serão eleições livres e democráticas as de domingo? Ainda não. Porque estarão condicionadas pelo poder econômico. Candidato que mereceu robustos recursos financeiros se tornou mais conhecido que os demais. Sua imagem, maquiada pelas campanhas publicitárias, que têm poder até de transformar demônios em anjos, se projetou mais amplamente na opinião pública. Quem não contou com recursos certamente merecerá votos que irão favorecer os candidatos mais conhecidos de sua legenda ou partido. 
Enquanto não pressionarmos para que haja reforma política já, temos que dançar conforme a música do atual sistema político. Ela não é tão maravilhosa quanto gostaríamos. Mas é bem melhor que uma ditadura que fecha Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas, indica governadores e prefeitos, e impede o eleitor de votar. Isso o Brasil conheceu ao longo de 21 anos. 
Agora é hora de aprimorar o nosso processo democrático. Não na ilusão de que eleição é o remédio para todos os males. Não é. Mais importante que votar é mobilizar-se em movimentos sociais – os verdadeiros protagonistas da democracia, da conquista de direitos civis e da reforma do Estado. 
Quem, hoje, participa de movimentos sociais? Quem acredita que “o povo unido jamais será vencido”? O neoliberalismo pressiona para que a nossa indignação não mais resulte em mobilização. Protestamos em casa e nas redes sociais, desde que sem enfrentar o desconforto das ruas. O que é ótimo para aqueles que desejam que tudo permaneça como dantes no quartel de Abrantes. 
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser, de “Conversa sobre a fé e a ciência” (Agir), entre outros livros.

No http://blogdadilma.com/index.php/brasil/795-voto

Ver ACM Neto provar do próprio veneno é muuuuuuuiiiiiiiiito bom!



Líder do quase falecido DEM e candidato a prefeito de Salvador, ACM Neto bradou que vai procurar o TSE na próxima semana para que seja feito um acompanhamento das decisões da justiça eleitoral baiana. Em segundo lugar nas pesquisas, atrás do nosso candidato Nelson Pelegrino (PT), o neto do carlismo transfere, joga a culpa pelo seu desempenho durante a campanha, às decisões da Justiça contra os programas eleitorais que fez.

Vejam a pérola: "Estou muito preocupado com o que está acontecendo na Justiça Eleitoral da Bahia. Ontem, por exemplo, cassaram parte do nosso programa eleitoral. Hoje, até agora estamos fora do ar. Estamos tentando uma cautelar no TRE para rever essa decisão absurda”. 

E, obviamente, o candidato dos demos desfechou ataques à campanha de Pelegrino dizendo que seu opositor usa metade do tempo da campanha para atacá-lo, mas na hora em que faz “uma crítica ao mensalão”, é retirado do ar. 

“Vou chamar atenção do TSE sobre o que está acontecendo aqui. Porque acho que a Justiça Eleitoral da Bahia está tendo pesos e medidas desiguais. Acho que enfrentar o PT e seu poderio faz parte do processo político. Agora, enfrentar a Justiça não dá", reclamou. 

“Roer o osso”

Agora, vejam esta outra pérola: questionado se o quadro que enfrenta hoje teria semelhanças ao enfrentado pelos opositores de seu avô, ACM, quando este mandava e desmandava na Bahia, Neto ironizou: "nunca vivi esse (aquele) momento de domínio, porque quando entrei na política já entrei na oposição. Então, só sei o que é roer o osso". 

Sim, parece piada ACM Neto reclamando da Justiça Eleitoral... Logo ele, herdeiro de uma tradição de controle férreo sobre a máquina do Estado – polícia, justiça, legislativo, funcionalismo, licitações, fornecedores, mídia e até a vida cultural da Bahia - e isso durante 20 anos de Carlismo! 

Mas, felizmente, ao contrário da época em que eles dominavam, agora há pluralismo, autonomia e independência entre os poderes na região. A cidadania não vive mais sob o tacão de uma oligarquia familiar. Sorria! Você está na Bahia, ACM Neto!
(Foto: José Cruz/ABr)