quinta-feira, 2 de junho de 2011

Apresentação do Plano Brasil Sem Miséria

" Brasil sem miséria" - Por que a mídia caduca não mostra ao povo o excelente projetos de Dilma? Será que é porque não foi idéia de Aécio, Alckmin ou Serra? Será que o PIG pensa que o Povo é bobo?

"Escrevam isso: De início o PIG, como não conseguirá esconder um fato com tamanho vulto, dará notícias recheadas de cetismo contra esses programas. Depois, começará a procurar “erros e desvios pontuais” , que é normal,(impossível conter em um programa tão gigantesco e com envolvimento de milhares de servidores (seres humanos) de todas as esferas, os quais devem e serão corrigidos, conforme forem aparecendo), para dizer que o programa é um fracasso… Esperem e… me darão razão…" Maks


Dilma lança “Brasil Sem Miséria”.
Mais 800 mil no Bolsa Família

    Publicado em 02/06/2011
Dilma quer qualificar 1,7 milhão de pessoas nas cidades


Brasil Sem Miséria: governo vai localizar e incluir em seus programas 16,2 milhões pessoas em situação de extrema pobreza


Com a meta de retirar 16,2 milhões de brasileiros da situação de extrema pobreza, a presidenta Dilma Rousseff lançou nesta quinta-feira (2), em Brasília, o Plano Brasil Sem Miséria, que agrega transferência de renda, acesso a serviços públicos, nas áreas de educação, saúde, assistência social, saneamento e energia elétrica, e inclusão produtiva. Com um conjunto de ações que envolvem a criação de novos programas e a ampliação de iniciativas já existentes, em parceria com estados, municípios, empresas públicas e privadas e organizações da sociedade civil, o governo federal quer incluir a população mais pobre nas oportunidades geradas pelo forte crescimento econômico brasileiro.


O objetivo é elevar a renda e as condições de bem-estar da população. O Brasil Sem Miséria vai localizar as famílias extremamente pobres e incluí-las de forma integrada nos mais diversos programas de acordo com as suas necessidades. Para isso, o governo seguirá os mapas de extrema pobreza produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O Brasil Sem Miséria levará o Estado às pessoas mais vulneráveis onde estiverem. A partir de agora, não é a população mais pobre que terá que correr atrás do Estado, mas o contrário”, afirma ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.


Busca ativa – Na estratégia da busca ativa, as equipes de profissionais farão uma procura minuciosa na sua área de atuação com o objetivo de localizar, cadastrar e incluir nos programas as famílias em situação de pobreza extrema. Também vão identificar os serviços existentes e a necessidade de criar novas ações para que essa população possa acessar os seus direitos.


Mutirões, campanhas, palestras, atividades socioeducativas, visitas domiciliares e cruzamentos de bases cadastrais serão utilizados neste trabalho. A qualificação dos gestores públicos no atendimento à população extremamente pobre faz parte da estratégia.


O plano engloba ações nos âmbitos nacional e regional. Na zona rural, por exemplo, incentiva o aumento da produção por meio de assistência técnica, distribuição de sementes e apoio à comercialização. Na área urbana, o foco da inclusão produtiva é a qualificação de mão-de-obra e a identificação de emprego. Além disso, as pessoas que ainda não são beneficiárias do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) serão incluídas nestes programas de transferência de renda.


O plano vai priorizar a expansão e a qualificação dos serviços públicos em diversas áreas, assegurando, por exemplo, documentação, energia elétrica, alfabetização, medicamentos, tratamentos dentário e oftalmológico, creches e saneamento. Os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) serão os pontos de atendimento dos programas englobados pelo Brasil Sem Miséria. As sete mil unidades existentes no País funcionam em todos os municípios e outros pontos serão criados.


Romper a linha da miséria – O plano, direcionado aos brasileiros que vivem em lares cuja renda familiar é de até R$ 70 por pessoa, cumpre um compromisso assumido pela presidenta Dilma Rousseff. Do público alvo do Brasil Sem Miséria, 59% estão no Nordeste, 40% têm até 14 anos e 47% vivem na área rural.


“Só foi possível reduzir a desigualdade e a pobreza no Brasil, nos últimos anos, por que o governo adotou ações que aliam crescimento econômico com inclusão social, como o aumento do emprego, a valorização do salário mínimo, a ampliação dos programas sociais e a expansão do crédito. Os resultados obtidos – 28 milhões de brasileiros saíram da pobreza e 36 milhões subiram para a classe média – comprovam que as medidas foram acertadas. Com o Brasil Sem Miséria, vamos juntar o mapa da extrema pobreza com o da geração de oportunidades e permitir que milhões de brasileiros rompam a linha da miséria”, destaca a ministra Tereza Campello.


Meta é qualificar 1,7 milhão de pessoas nas cidades


As iniciativas de inclusão produtiva urbana vão reunir estímulo ao empreendedorismo e à economia solidária, oferta de cursos de qualificação profissional e intermediação de mão-de-obra para atender às demandas nas áreas públicas e privadas, totalizando dois milhões de pessoas.


Em relação à qualificação, a proposta é atender 1,7 milhão de pessoas de 18 a 65 anos por meio de ações articuladas de governo: Sistema Público de Trabalho, Emprego e Renda; Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec); Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem); obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida; Rede de Equipamentos de Alimentos e Nutrição; e coleta de materiais recicláveis.


Além da qualificação, o trabalho de inclusão produtiva abrangerá a emissão de documentos, acesso a serviços de saúde, como o Olhar Brasil, para exame de vista e confecção de óculos, e o Brasil Sorridente, para tratamento dentário, microcrédito e orientação profissional.


Catadores – O plano prevê ainda o apoio à organização produtiva dos catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis. Para este público, está prevista a melhoria das condições de trabalho e a ampliação das oportunidades de inclusão socioeconômica. A prioridade é atender capitais e regiões metropolitanas, abrangendo 260 municípios.


O Brasil Sem Miséria também apoiará as prefeituras em programas de coleta seletiva com a participação dos catadores de materiais recicláveis. O plano vai capacitar e fortalecer a participação na coleta seletiva de 60 mil catadores, até 2014, viabilizar a infraestrutura para 280 mil e incrementar cem redes de comercialização.

Número de agricultores familiares em situação de extrema pobreza atendidos pelo PAA será quadruplicado


Uma das metas do Brasil sem Miséria para a zona rural é aumentar em quatro vezes o número de agricultores familiares, em situação de extrema pobreza, atendidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Subirá de 66 mil para 255 mil até 2014. Com a expansão, a participação dos agricultores muitos pobres no conjunto dos beneficiários do PAA será elevada de 41% para 57%. Atualmente, 156 mil agricultores vendem sua produção para o programa e a meta é ampliar para 445 mil até o final do atual governo.


Para acompanhar os agricultores, haverá uma equipe de 11 técnicos para cada mil famílias. Consta ainda do plano o fomento de R$ 2,4 mil por família, ao longo de dois anos, para apoiar a produção e a comercialização excedente dos alimentos. O pagamento será efetuado por meio do cartão do Bolsa Família.


Além disso, 253 mil famílias receberão sementes e insumos, como adubos e fertilizantes. Ampliar as compras por parte de instituições públicas e filantrópicas (hospitais, escolas, universidades, creches e presídios) e estabelecimentos privados da agricultura familiar também é objetivo do plano.

750 mil famílias terão cisternas; 257 mil receberão energia elétrica


O acesso à água para o consumo e a produção é outra ação que se fortalece com o Brasil sem Miséria. De acordo com o plano, a construção de novas cisternas para o plantio e criação de animais vai atender 600 mil famílias rurais até 2013. Também haverá um “kit irrigação” para pequenas propriedades e recuperação de poços artesianos.


No caso da água para o consumo, a proposta é construir cisternas para 750 mil famílias nos próximos dois anos e meio. Desde 2003, o governo destinou recursos para a construção de 340 mil cisternas na região do semiárido.


Outra iniciativa é a implantação de sistemas complementares e coletivos de abastecimento para 272 mil famílias. Todas essas ações irão contemplar populações rurais dispersas ou que vivem em áreas mais adensadas e com acesso a fontes hídricas.


O plano definiu também que mais 257 mil famílias terão acesso à energia elétrica até 2014. Esse quantitativo foi obtido a partir de cruzamento dos dados da população extremamente pobre, levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o cadastro das empresas de energia.

Bolsa Verde: R$ 300 para preservação ambiental


O governo federal vai criar um programa de transferência de renda para as famílias, em situação de extrema pobreza que promovam a conservação ambiental nas áreas onde vivem e trabalham. É o Bolsa Verde, que pagará, a cada trimestre, R$ 300 por família que preserva florestas nacionais, reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável. O valor será transferido por meio do cartão do Bolsa Família.

Mais 800 mil no Bolsa Família; limite de benefícios por filho aumentará de 3 para 5


O Brasil Sem Miséria vai incluir no Bolsa Família 800 mil famílias que atendem as exigências de entrada no programa, mas não recebem o recurso porque ainda não estão cadastradas. Para efetuar o cadastramento, haverá um trabalho pró-ativo de localização desses potenciais beneficiários. O governo pretende atingir essa meta em dezembro de 2013.


Outra mudança no programa é o limite do número de crianças e adolescentes com até 15 anos para o recebimento do benefício, que hoje é de R$ 32. Antes, independentemente do número de crianças na família, a quantidade máxima de benefícios era de três. Agora, passa para cinco. Com a alteração, 1,3 milhão de crianças e adolescentes serão incluídos no Bolsa Família. Hoje, são 15,7 milhões. Da população extremamente pobre, 40% têm até 14 anos.


Em abril, o governo reajustou em 45% o valor do benefício pago às crianças nesta faixa etária. Além da expansão do programa federal, o governo está em negociação com os estados e municípios para a adoção de iniciativas complementares de transferência de renda.

Aumento de oferta de serviços públicos com qualidade


A expansão e a qualidade dos serviços públicos ofertados às pessoas em situação de extrema pobreza norteiam o Brasil sem Miséria. Para isso, o plano prevê o aumento e o redirecionamento dos programas aliados à sensibilização, mobilização e qualificação dos profissionais que atuam em diversas áreas.


As ações incluirão os seguintes pontos: documentação; energia elétrica; combate ao trabalho infantil; cozinhas comunitárias e bancos de alimentos; saneamento; apoio à população em situação de rua; educação infantil; Saúde da Família; Rede Cegonha; medicamentos para hipertensos e diabéticos; tratamento dentário; exames de vista e óculos; combate ao crack e outras drogas; e assistência social, por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).

Os números do Brasil sem Miséria


Retirar 16,2 milhões da extrema pobreza

Renda familiar de até R$ 70 por pessoa

59% do público alvo está no Nordeste, 40% tem até 14 anos e 47% vivem na área rural

Qualificar 1,7 milhão de pessoas entre 18 e 65 anos

Capacitar e fortalecer a participação na coletiva seletiva de 60 mil catadores até 2014

Viabilizar a infraestrutura para 280 mil catadores e incrementar cem redes de comercialização

Aumentar em quatro vezes, elevando para 255 mil, o número de agricultores familiares, em situação de extrema pobreza, atendidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

Equipe de 11 técnicos para cada mil famílias de agricultores

Fomento semestral de R$ 2,4 mil por família, durante dois anos, para apoiar a produção e a comercialização excedente dos alimentos

253 mil famílias receberão sementes e insumos

600 mil famílias terão cisternas para produção

257 mil receberão energia elétrica

Construir cisternas para 750 mil famílias nos próximos dois anos e meio

Implantação de sistemas complementares e coletivos de abastecimento para 272 mil famílias

Bolsa Verde: R$ 300 para preservação ambiental

Bolsa Família incluirá 800 mil

Mais 1,3 milhão de crianças e adolescentes incluídos no Bolsa Família

"Essa de igualar amamentação e masturbação é coisa de doido. Nunca pensei ler uma coisa dessas. Fico imaginando a volta que o tal colunista deu para conseguir igualar coisas tão distintas – mas naturais – do comportamento humano." Roberto Pereira

O ato sublime de amamentar



A primeira vez em que vi uma mulher amamentando se deu por volta dos meus nove ou dez anos de idade. Foi em uma praça em São Paulo nos anos 1960. Ela estava sentada sob uma árvore. Era gorda e maltrapilha. E a criança, muito pequena. Mãe e filho eram morenos, ou pareciam mais morenos porque estavam sujos.
Nunca vira um seio nu. Minha mãe se ocupava em me comprar alguma guloseima de um vendedor ambulante e, enquanto concluía a compra, eu admirava aquela parte da anatomia feminina que tanta curiosidade já me despertava por conta de que estava sempre coberta.
Quando a minha mãe se voltou e me viu admirando a cena, assustei-me. Alguma coisa me dizia que fazia algo de errado. Contudo, ela sorriu e, com o olhar, encorajou-me a continuar fazendo o que fazia. Outra mulher, na mesma banca de doces, disparou um olhar e um resmungo para o homem que a acompanhava e saiu balançando negativamente a cabeça.
Passei o resto do dia com aquela situação na mente. À noitinha, minha mãe me perguntou se queria saber mais sobre o que vira na praça. Comecei a disparar perguntas sobre por que as mulheres tinham seios e sobre por que o “nenê” sugava o daquela mulher. E, também, se era feio, aquilo.
Joanna Guimarães foi uma mulher de extrema cultura. Era fluente em nada mais, nada menos do que sete idiomas. Advogada, socióloga. Para ela, então, a sociedade em que vivíamos – suponho que se referiu à sociedade paulistana – era preconceituosa e ignorante, porque o que eu vira, segundo asseverou, era um dos momentos mais sublimes da humanidade.
Alguns dias depois, minha mãe levou-me a um museu, a uma exposição de arte renascentista.  As cenas de amamentação eram comuns. Mamãe, então, explicou-me que entre aqueles que não aceitavam ver amamentação nas ruas certamente havia quem tivesse um quadro daqueles pendurado na parede de casa…
Anos mais tarde, já sabia que algumas pessoas se incomodavam com a amamentação em público. Então, já vira muitos seios. Inclusive amamentando. E sempre, sempre fiquei maravilhado exatamente como aquele menino de nove ou dez anos. Sempre que vejo a cena, lembro-me daquela tarde com a minha mãe no museu.
De uns tempos para cá – e não só no Brasil –, esse debate ignorante sobre ser direito ou não de uma mulher amamentar em público começou a proliferar. Aqui no Brasil, para variar, a Folha de São Paulo deu a partida nessa burrice através de um colunista que comparou a amamentação à masturbação.
Agora, um membro da trupe do programa CQC que se notabilizou pelas frases doentias que profere ao tentar ser engraçado – e que também acha engraçado quando mulheres são estupradas – atacou até o ato sublime de amamentar, imortalizado pelos maiores artistas que a humanidade conheceu.
Quero crer que não aconteça isso no resto do Brasil. Seja como for, esse tipo de atitude deixa ver como ignorância e preconceito andam de mãos dadas. Aquele que em vez de se enternecer fica chocado ao ver ato sublime de amamentar não é somente preconceituoso, também é ignorante. Se não for doente…
—-
Folha de São Paulo
16 de maio de 2011
João Pereira Coutinho
Mamonas Celestinas
Um dos fenômenos mais interessantes da vida moderna encontra-se na quantidade de mães que eu vejo dando de mamar em público. Às vezes, sinto até inveja: dos bebês e das próprias mães, pela forma descontraída como se entregam ao ato, seja no meio de uma rua, de um shopping, de um café.
O caso mais espantoso deu-se uns anos atrás, quando encontrei uma mãe dando de mamar numa cabina telefónica: esperei que o almoço terminasse e depois, quando o bebê finalmente arrotou, entrei e fiz a minha chamada. Tranquilo.
É por isso que gostaria de aplaudir as organizadoras do “mamaço”, uma campanha destinada a reclamar esse direito. O “mamaço” foi idealizado depois de uma mãe ter sido impedida de amamentar o seu bebê numa galeria de exposições do Itáu Cultural, em São Paulo.
“Excesso de zelo”, disse o diretor do centro cultural. Disse muitíssimo bem: se eu posso comer pipocas quando vou ao cinema, é justo que um bebê tenha direito ao seu lanche quando é arrastado para uma exposição.
Aliás, a única coisa a lamentar é as organizadoras do “mamaço” não irem um pouco mais longe, exigindo a aceitação geral dos nossos gestos mais naturais e íntimos, que só mentes profundamente reacionárias podem considerar impróprias para consumo geral.
A masturbação é um caso: séculos de preconceitos religiosos e culturais inculcaram a ideia tenebrosa de que a masturbação é um erro, um crime, um pecado.
Nada mais longe da verdade: a masturbação é fundamental como descoberta do corpo, sobretudo durante a adolescência; e seria por isso aconselhável que os nossos adolescentes pudessem efetuar essas descobertas em público, derrubando os pesados muros do preconceito com movimentos íntimos, frenéticos, extasiados.
Mas a revolução não ficaria por aqui. Quem disse que as relações íntimas entre dois seres humanos devem ser confinadas às quatro paredes dessa masmorra burguesa, que dá pelo nome de “casa”?
Pessoalmente, acho escandaloso que as ruas das nossas cidades não ofereçam camas portáteis, capazes de socorrer o calor dos amantes quando outro tipo de fome subitamente os ataca.
E, por falar em ataques, haverá algo mais triste, mais melancólico, mais desolado, do que a insuportável solidão do banheiro?
Uma civilização digna do novo século seria a primeira a construir vasos sanitários ao longo da calçada. Não há nenhum motivo para manter a nossa privacidade longe da praça pública quando é possível executar as necessidades mais naturais em plena interação com os restantes pedestres.
As mães do “mamaço” deram o primeiro passo. Rimou. Seria bom que todo mundo tivesse a coragem para dar o segundo. (Não resisti.)
Por mim falo: amanhã de manhã, abandonarei a clausura do meu chuveiro. E prometo levar tudo –sabonete, shampoo e patinho de borracha– para tomar um banho demorado na principal fonte da cidade.



"… e quando chega o carnaval a Rede Globo coloca dentro dos lares a “Globeleza” pelada, rebolando.Mas aí não tem nada de perversão. É lindo."  Gerson Carneiro


"Ironia pedante de uma pretensa superioridade (quase ariana) civilizacional. Antes (ou depois) de tudo, o tal “ironicuzinho” parece que não limpa a bunda com folha de papel: transforma o resto de suas fezes em matéria “jornalística” da Folha (a da “ditabranda”). Falo nesse tom (reconheço, pesado), para comentar no mesmo nível do autor da reportagem: com ironia e traços fisiológicos. Enfim, trata-se de uma grande bosta: daquelas que nos orgulhamos ao olhar para a privada, antes de dar a descarga!" Reflexivo, blognalta do cidadania.com 

No http://www.blogcidadania.com.br/2011/06/o-ato-sublime-de-amamentar-2/

Em tempo: Sou mãe de uma única filha de 17 anos, a quem precisei amamentar em locais públicos por nos encontrarmos longe do aconchego do nosso lar. Sabe como é que é: com necessidade de filho/filha mãe nenhuma brinca. 


Em tempo2: É muito sadismo querer comparar o ato de amamentar com masturbação! Do PIG nada mais me surpreende!
  

Peço um voto de confiança para Lula, por quem tanto fez pelo Brasil e enxerga de longe a tentativa de golpe contra a nossa querida PresidentA.


Se Lula se aposentar pelo caso Palocci, vou junto



Há um homem público que, apesar de ser apenas um homem, honrou todos os votos de confiança que venho lhe dando desde 1989. Esse homem que a tantos assustou durante tanto tempo, que já foi considerado um louco que incendiaria o país, desde que surgiu na política sempre me passou confiança, sinceridade e uma coragem épica.
Sim, sou o que chamam de “lulista”. Porque todas as nações, todos os povos, durante toda a história da humanidade sempre seguiram líderes. E Lula é o meu líder político. Apesar de não concordar com absolutamente tudo o que diz – discordo de sua recusa em reagir a certos ataques da forma cabível –, em questões sobre as quais só ele tem condições de opinar eu o sigo sem pestanejar.
O caso Palocci é um daqueles em que a opinião de Lula pesa muito sobre a minha. Quando ele diz que se a mídia e a oposição conseguirem derrubar Palocci passarão os próximos quatro anos derrubando ministros e inviabilizando o governo Dilma, acredito.
Apesar dos amigos queridos que discordam de mim, não posso ceder ao rigor ético deles quando diverge tanto do meu, apesar de respeitar a todos os que, de boa fé, crêem na lenda que a direita midiática está conseguindo vender de que derrubar o principal ministro de Dilma aos cinco meses de gestão seria “bom” para o seu governo.
Lula defende Palocci e grande parte daqueles que o seguiram quando defendeu Sarney, por exemplo, agora recusam a sua liderança. É perfeitamente aceitável. É direito de cada um. Contudo, será direito dele, como fiquei sabendo, aposentar-se da política se a sua intuição não for seguida.
Esse homem pelo qual lutei para que governasse este país sabe tudo o que Palocci fez nos verões passados. Nomeou-o quando governava e foi por sua influência que foi nomeado neste governo para o segundo posto depois da presidente Dilma. Se acreditasse que Lula defenderia um corrupto, deixaria de me envolver em política.
Mas não só. Como não acredito que Lula defenderia Palocci sem uma boa razão, se o meu líder político deixar a sua militância devido a esse episódio, terá a minha companhia.
Há muito tempo que penso em me dedicar à literatura. Meu sonho sempre foi escrever um romance e vê-lo publicado. Posso muito bem criar um blog para começar a enveredar pela arte. Literatura, pintura, poesia, crônicas, contos… É a isso que me dedicarei se o presidente Lula se aposentar da política pelo caso Palocci.

No http://www.blogcidadania.com.br/2011/06/se-lula-se-aposentar-pelo-caso-palocci-vou-junto/

Cuidado para não receber notas manchadas! Você pode ficar sem o seu dinheiro!

Recuse nota manchada;Cédulas marcadas em roubo a terminais serão retidas sem ressarcimento

O Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) aprovaram ontem regulamentação sobre o destino de cédulas danificadas por dispositivos antifurto de caixas eletrônicos. Segundo nota divulgada pelo BC, essas notas deixam de ter validade, não podendo mais ser utilizadas como meio de pagamento.

Alguns caixas eletrônicos têm um dispositivo que mancha com tinta colorida as cédulas durante a tentativa de furto por meio de explosão.

"O portador de nota suspeita de ter sido danificada por dispositivo antifurto deve encaminhá-la a uma agência bancária, que se encarregará de remetê-la ao BC, onde será mantida sob custódia para análise", orienta o comunicado do BC.

Ao entregar a nota manchada de tinta, o cidadão deverá informar o número do CPF, de um documento de identificação com foto e seu endereço.

As informações poderão ser repassadas à polícia.

Se houver a comprovação de que o dano foi provocado por dispositivo antifurto, a instituição financeira deverá comunicar ao portador que a cédula foi objeto de ação criminosa e ficará à disposição das autoridades competentes para investigação criminal.

Nesse caso, o portador não terá direito ao ressarcimento do valor correspondente à cédula danificada. Já se após análise for comprovado que o dano não é proveniente de dispositivo antifurto, o banco providenciará a troca da cédula.

75 MIL EM CIRCULAÇÃO

O BC estima em cerca de 75 mil o número de cédulas manchadas por mecanismos antifurtos de caixas eletrônicos ainda não retiradas de circulação, segundo informações do diretor de Administração do BC, Altamir Lopes. "O BC recomenda a população que não receba notas suspeitas.

O objetivo das medidas anunciadas é contribuir para a redução dos casos de furtos e roubos a caixas eletrônicos, ao dificultar a circulação de notas roubadas ou furtadas", diz o comunicado.

Lopes adverte que todas as notas manchadas perderão a validade, independentemente do tamanho da mancha de tinta. As medidas do "Essas medidas têm como finalidade manter o cidadão informado sobre os trâmites de seu processo, além de possuir caráter de proteção contra a atividade criminosa", afirmou.

CASO DE SAQUE

De acordo com Lopes, caso algum cliente saque dinheiro manchado em caixa eletrônico, é importante retirar extrato bancário em seguida e comunicar o fato ao banco.

Se não for possível fazer isso de imediato, a orientação é registrar a ocorrência em uma delegacia o mais rápido possível. Segundo o diretor, em casos de falha da instituição financeira, o cliente poderá ser ressarcido pelo banco.

Já as instituições financeiras poderão ser ressarcidas pelo BC quando as cédulas forem manchadas com tinta por acidente ou por situação de furto frustrado.

Novas notas

Os custos de produção das novas notas e da análise das cédulas manchadas serão definidos pelo BC e cobrados das instituições financeiras. Também serão estudados mecanismos que ajudem deficientes visuais a identificar cédulas manchadas.

O ressarcimento aos bancos ocorrerá com o desconto dos custos de produção e análise.
No http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/06/recuse-nota-manchadacedulas-marcadas-em.html

Seres humanos como moeda de troca

Ingerência estatal atrapalha livre iniciativa

Polícia descobre "fábrica de bebês" na Nigéria e liberta 32 garotas grávidas 
Do UOL Notícias

A polícia nigeriana descobriu uma casa, na cidade de Aba, onde garotas adolescentes eram forçadas a ter bebês que eram vendidos ou usados para outros propósitos (!!!), segundo o jornal inglês "The Telegraph".

Os policiais encontraram e libertaram 32 garotas, entre 15 e 17 anos, que estavam grávidas e prendeu o proprietário do imóvel. As adolescentes afirmaram que eram obrigadas a vender os bebês por cerca de 30.000 nairas (R$ 300) (!!!), dependendo do sexo da criança(!!!).

Os traficantes, então, revendiam os bebês por até 1 milhão de nairas (R$ 10.200), de acordo com a agência estatal de combate ao tráfico humano (!!!) na Nigéria.

Se for condenado (!!!), o dono da "fábrica de bebês" poderá pegar uma pena de até 14 anos de prisão.

Casos de abuso de criança e tráfico humano são cada vez mais comuns no oeste africano. Muitas crianças são vendidas para serem usadas como mão-de-obra barata em plantações, minas, fábricas e nos afazeres domésticos. Outras acabam na prostituição e há ainda as que são mortas ou torturadas em rituais de magia negra (!!!).

Na Nigéria, o tráfico humano é o terceiro crime mais comum (!!!), atrás das fraudes econômicas e do tráfico de drogas, de acordo com a Unesco.

Leia mais em: O Esquerdopata
Under Creative Commons License: Attribution
No http://esquerdopata.blogspot.com/

Prefeito de Paulo Afonso fica sem o apoio de sua bancada de vereadores por duas semanas consecutivas

"Em sessão ordinária da câmara de vereadores de Paulo Afonso, nesta terça (31/05) os 4 (quatro) vereadores da bancada governista praticam mais um ato antidemocrático em retaliação ao povo Pauloafonsino."

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Já o vereador líder da bancada da oposição Celso Brito iniciou dizendo que não entende como funciona o combinado do prefeito com sua própria bancada, pois o mesmo envia a câmara 2 (dois) projetos de lei de seu interesse, justamente neste dia, a bancada governista se ausenta em repúdio ao povo Pauloafonsino." (GA Notícias) 

 

Em tempo: o prefeito sabe que a bancada da oposição é mais eficiente e trabalha para o Povo e que sua própria bancada é dispensável.


Em tempo2: penso que a bancada do prefeito se fez presente nas duas últimas sessões. É que ela é tão microscópica!

 

Em tempo3: em 2012 vamos fazer uma faxina no executivo e no legislativo para que Paulo Afonso cresça e melhore a qualidade de vida dos cidadãos pauloafonsinos, tirando da prefeitura um incompetente e livrando a câmara desses vereadores que são pior que bombril - sem nenhuma utilidade.


Em tempo4: ou melhor, vamos aposentá-los!


Greve de vereadores da bancada do prefeito de Paulo Afonso (DEM/BA), sem negociação e sem pauta de reinvidicação. Senhores juízes, isso não é ilegal?

01/06/2011 - 08h00 - Atualizado em 01/06/2011 - 08h00
Geraldo Alves - Paulo Afonso(BA)
TAMANHO DA FONTE
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BANCADA GOVERNISTA NÃO VAI AO PLENARIO DA CÂMARA EM REPUDIO AO POVO PAULOAFONSINO
Os projetos de autoria do executivo municipal que visam beneficiar a comunidade mesmo com a ausência da bancada governista iremos votar com responsabilidade.


Em sessão ordinária da câmara de vereadores de Paulo Afonso, nesta terça (31/05) os 4 (quatro) vereadores da bancada governista praticam mais um ato antidemocrático em retaliação ao povo Pauloafonsino. Pois bem, os vereadores Antônio Alexandre, Marcondes Francisco, Juvenal Texeira e Petrônio Nogueira encaminharam comunicada a mesa diretora no qual se dizem vitimas da má condução dos trabalhos da casa legislativa e não foram a sessão.

A sessão foi curtinha, mais com tem hábito para os pronunciamentos de 3 (três) dos 7 (sete) vereadores da bancada de oposição que não economizaram nas criticas, começando pelo vereador Gilson Fernandes (PSB) que fez um breve desabafo, sobre o que ele chamou de conduta inadequada, pois o povo precisa de um parlamento atuante e os projetos de interesse do coletivo necessitam da participação indispensável dos edis. E mais, o grupo que hora detém parte do poder se habituou a mandar em tudo e em todos, nunca viveram o outro lado da moeda, mais agora esta cidade tem oposição e nós fazemos frente aos seus desatinos.

Já o vereador líder da bancada da oposição Celso Brito iniciou dizendo que não entende como funciona o combinado do prefeito com sua própria bancada, pois o mesmo envia a câmara 2 (dois) projetos de lei de seu interesse, justamente neste dia, a bancada governista se ausenta em repúdio ao povo Pauloafonsino.

Por fim, o vereador presidente da casa Regivaldo Coriolano se diz surpreso pelas criticas proferidas por vereadores da bancada governista em uma rádio local sobre suas diárias em virtude da ida a Brasília, para receber a premiação da Transparência Brasil, prêmio este que apenas 12 (doze) cidades no país receberam e o mais importante é que foram para 8 (oito) prefeituras e 3 (três) câmaras de vereadores aí estar o motivo de nosso orgulho, esta casa foi uma das 3 (três) do Brasil agraciada, por em apenas 120 (cento e vinte) dias ter implantado um modelo transparente na publicação de seus atos administrativos diariamente. Não entendo esta forma de repúdio e ao mesmo tempo renovo os votos de comprometimento com o povo de Paulo Afonso aqui nesta casa, pois os projetos de autoria do executivo municipal que visam beneficiar a comunidade mesmo com a ausência da bancada governista iremos votar com responsabilidade.

Geraldo Alves
No http://ganoticias.com.br/index.php?pg=not%EDcia&id=135

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Volta Marquinhos! Volta Marquinhos!

Por Terezinha de Deus

Ontem, em mais uma noite de trabalho dos vereadores na Câmara dos Vereadores de Paulo Afonso não sentir falta dos vereadores da bancada do prefeito, embora lá eles não estivessem. Fiquei orgulhosa de ver que naquela Casa do Povo os verdadeiros Homens do Povo, nossos nobres e heróicos vereadores da bancada da oposição discutindo, resolvendo e deliberando acerca dos assuntos de grande interesse para os pauloafonsinos.

Parabéns ao vereadores que ali estavam para cumprimento do dever: Regivaldo, Gilson, Celso, Aroldo, Ozildo e Dinho.

E para os vereadores que propositamente faltaram a sessão de ontem:

Volta Marquinhos! Volta Marquinhos!

Aula de Língua Portuguesa para a mídia que fala apenas o ELITÊS

Manifesto dos Professores de Português

Desinformação e desrespeito na mídia brasileira 
Nossa Língua Brasileira

Por alguma razão escondida dentro de cada um de nós que escrevemos este texto tivemos como escolha profissional o ensino de língua (materna ou estrangeira). Por algum motivo desconhecido, resolvemos abraçar uma das profissões mais mal pagas do nosso país. Não quisemos nos tornar médicos, advogados ou jornalistas. Quisemos virar professores. E, para fazê-lo, tivemos que estudar.

Estudar, para alguém que quer ensinar, tem uma dimensão profunda. Foi estudando que abandonamos muitas visões simplistas do mundo e muitos dos nossos preconceitos.

Durante anos debatemos a condição da educação no Brasil; cotidianamente nos aprofundamos na realidade do país e em uma das expressões culturais mais íntimas de seus habitantes: a sua língua. Em várias dessas discussões utilizamos reportagens, notícias, ou fatos trazidos pelos jornais.

Crescemos ouvindo que jovem não lê jornal e que a cada dia o brasileiro lê menos. A julgar por nosso cotidiano, isso não é verdade. Tanto é que muitos de nós, já indignados com o tratamento dado pelo Jornal Nacional à questão do material Por uma vida melhor, perdemos o domingo ao, pela manhã, lermos as palavras de um dos mais respeitados jornalistas do país criticando, na Folha de S. Paulo, a valorização dada pelo material ao ensino das diferentes possibilidades do falar brasileiro. E ficamos ainda mais indignados durante a semana com tantas reportagens e artigos de opinião cheios de ideias equivocadas, ofensivas, violentas e irresponsáveis. Lemos textos assim também no Estado de São Paulo e nas revistas semanais Veja e IstoÉ.

Vimos o Jornal Nacional colocar uma das autoras do material na posição humilhante de ter que se justificar por ter conseguido fazer uma transposição didática de um assunto já debatido há tempos pelos grandes nomes da Linguística do país – nossos mestres, aliás. O jornalista Clovis Rossi afirmou que a língua que ele julga correta é uma “evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras” e que os professores têm o baixo salário justificado por “preguiça de ensinar”. Uma semana depois, vimos Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti narrarem um drama em que um aluno teria aprendido uma construção errada de sua língua, e afirmarem que o material “vai condenar esses jovens a uma escuridão cultural sem precedentes“. Também esses dois últimos jornalistas tentam negar a voz contrária aos seus julgamentos, dizendo que pouquíssimos foram os que se manifestaram, e que as ideias expressas no material podem ter sucesso somente entre alguns professores “mais moderninhos”. Já no Estado de São Paulo vimos um economista fazendo represálias brutas a esse material didático. Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia, porém fica nítida a fragilidade de suas concepções sobre ensino da língua. A mesma desinformação e irresponsabilidade revelou o cineasta Arnaldo Jabor, em seu violento comentário na rádio CBN.

Ficamos todos perplexos pela falta de informação desses jornalistas, pela inversão de realidade a que procederam, e, sobretudo, pelo preconceito que despejaram sem pudor sobre seus espectadores, ouvintes e leitores, alimentando uma visão reduzida ao senso comum equivocado quanto ao ensino da língua. A versão trazida pelos jornais sobre a defesa do “erro” em livros didáticos, e mais especificamente no livro Por uma vida melhor, é uma ofensa a todo trabalho desenvolvido pelos linguistas e educadores de nosso país no que diz respeito ao ensino de Língua Portuguesa.

A pergunta inquietante que tivemos foi: será que esses jornalistas ao menos se deram o trabalho de ler ou meramente consultar o referido livro didático antes de tornar públicas tão caluniosas opiniões? Sabemos que não. Pois, se o tivessem feito, veriam que tal livro de forma alguma defende o ato de falar “errado”, mas sim busca desmistificar a noção de erro, substituindo-a pela de adequação/inadequação. Isso porque, a Linguística, bem como qualquer outra ciência humana, não pode admitir a superioridade de uma expressão cultural sobre outra. Ao dizer que a população com baixo grau de escolaridade fala “errado”, o que está-se dizendo é que a expressão cultural da maior parte da população brasileira é errada, ou inferior à das classes dominantes. Isso não pode ser concebido, nem publicado deliberadamente como foi nos meios de comunicação. É esse ensinamento básico que o material propõe, didaticamente, aos alunos que participam da Educação de Jovens e Adultos. Mais apropriado, impossível. Paulo Freire ficaria orgulhoso. Os jornalistas, porém, condenam.

Sabemos que os veículos de comunicação possuem uma influência poderosa sobre a visão de mundo das pessoas, atuam como formadores de opinião, por isso consideramos um retrocesso estigmatizar certos usos da língua e, com isso, o trabalho de profissionais que, todos os dias, estão em sala de aula tentando ir além do que a mera repetição dos exercícios gramaticais mecânicos, chamando atenção para o caráter multifacetado e plural do português brasileiro e sua relação intrínseca com os mais diversos contextos sociais.

A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas aparecem, sobretudo, o medo da escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes. Entretanto, se tivessem lido o referido material, esse medo teria facilmente se esvaído. Como todo linguista contemporâneo, os autores deixam claro, na página 12, que “Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário“. Dessa forma, sem deixar de valorizar a norma escrita culta – necessária para atuar nas esferas profissional e cultural, e logo, determinante para a ascensão econômica e social de seus usuários, embora não suficiente – o material consegue promover o debate sobre a diversidade linguística brasileira. Esse feito, do ponto de vista de todos que produzimos e utilizamos materiais didáticos, é fundamental.

Sobre os conteúdos errôneos que foram publicados pelos jornais e revistas, foi possível ver que, após uma semana, as respostas dadas pelos educadores, estudiosos da linguagem e, sobretudo, da variação linguística, já foram bastante elucidativas para informar esses profissionais do jornalismo. Infelizmente alguns jornalistas não os leram. Mas ainda dá tempo de aprender com esses textos. Leiam as respostas de linguistas tais como Luis Carlos Cagliari, Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Sírio Possenti, e de educadores tais como Maria Alice Setubal e Maurício Ernica, entre outros, publicadas em diversas fontes, como elucidativas e representativas do que temos a dizer. Aliás, muito nos orgulha a paciência desses autores – foram verdadeiras aulas para alunos que parecem ter que começar do zero. Admirável foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Linguística, de Educação – e de atitude cidadã, diga-se de passagem – para “formadores de opinião” que, sem o domínio do assunto, resolveram palpitar, julgar e até incriminar práticas e as ideias solidamente construídas em pesquisas científicas sobre a língua ao longo de toda a vida acadêmica de vários intelectuais brasileiros respeitados, ideias essas que começam, aos poucos, a chegar à realidade das escolas.

Ao final de anos de luta para podermos virar professores, ao invés de vermos nossos pensadores, acadêmicos, e professores valorizados, vimos a humilhação violenta que eles sofreram. Vimos, com isso, a humilhação que a academia e que os estudos sérios e profundos podem sofrer pela mídia desavisada (ou maldosa). O poder da mídia foi assustador. Para os alunos mais dispersos, algumas concepções que levaram anos para serem construídas foram quebradas em instantes. Felizmente, esses são poucos. Para grande parte de nossos colegas estudantes de Letras o que aconteceu foi um descontentamento geral e uma descrença coletiva nos meios de comunicação.

A descrença na profissão de professor, que era a mais provável de ocorrer após tamanha violência e irresponsabilidade da mídia, essa não aconteceu – somente por conta daquele nosso motivo interno ao qual nos referimos antes. Nossa crença de que a educação é a solução de muitos problemas – como esse, por exemplo – e que é uma das profissões mais satisfatórias do mundo continua firme. Sabemos que vamos receber baixos salários, que nossa rotina será mais complicada do que a de muitos outros profissionais, e de todas as outras dificuldades que todos sabem que um professor enfrenta. O que não sabíamos é que não tínhamos o apoio da mídia, e que, pior que isso, ela se voltaria contra nós, dizendo que o baixo salário está justificado, e que não podemos reclamar porque não cumprimos nosso dever direito.

Gostaríamos de deixar claro que não, ensinar gramática tradicional não é difícil. Não temos preguiça disso. Facilmente podemos ler a respeito da questão da colocação pronominal, passar na lousa como os pronomes devem ser usados e dizer para o aluno que está errado dizer “me dá uma borracha”. Isso é muito simples de fazer. Tão simples que os senhores jornalistas, que não são professores, já corrigiram o material Por uma vida melhor sobre a questão do plural dos substantivos. Não precisa ser professor para fazer isso. Dizer o que está errado, aliás, é o que muitos fazem de melhor.

Difícil, sabemos, é ter professores formados para conseguir promover, simultaneamente, o debate e o ensino do uso dos diversos recursos linguísticos e expressivos do português brasileiro que sejam adequados às diferentes situações de comunicação e próprios dos inúmeros gêneros do discurso orais e escritos que utilizamos. Esse professor deve ter muito conhecimento sobre a linguagem e sobre a língua, nas suas dimensões linguísticas, textuais e discursivas, sobre o povo que a usa, sobre as diferentes regiões do nosso país, e sobre as relações intrínsecas entre linguagem e cultura.

Esse professor deve ter a cabeça aberta o suficiente para saber que nenhuma forma de usar a língua é “superior” a outra, mas que há situações que exigem uma aproximação maior da norma culta e outras em que isso não é necessário; que o “correto” não é falar apenas como paulistas e cariocas, usando o globês; que nenhum aluno pode sair da escola achando que fala “melhor” que outro, mas sim ciente da necessidade de escolher a forma mais adequada de usar a língua conforme exige a situação e, é claro, com o domínio da norma culta para as ocasiões em que ela é requerida. Esse professor tem que ter noções sobre identidade e alteridade, tem que valorizar o outro, a diferença, e respeitar o que conhece e o que não conhece.

Também esse professor tem que ter muito orgulho de ser brasileiro: é ele que vai dizer ao garoto, ao ensinar o uso adequado da língua nas situações formais e públicas de comunicação, que não é porque a mãe desse garoto não usa esse tipo de variedade lingüística, a norma culta, não conjuga os verbos, nem usa o plural de acordo com uma gramática pautada no português europeu, que ela é ignorante ou não sabe pensar. Ele vai dizer ao garoto que ele não precisa se envergonhar de sua mãe só porque aprendeu outras formas de usar o português na escola, e ela não. Ele vai ensinar o garoto a valorizar os falares regionais, e ser orgulhoso de sua família, de sua cultura, de sua região de origem, de seu país e das diferenças que existem dentro dele e, ao mesmo tempo, a ampliar, pelo domínio da norma culta, as suas possibilidades de participação na sociedade e na cultura letrada. O Brasil precisa justamente desse professor que esses jornalistas tanto incriminaram.

Formar um professor com esse potencial é o que fazem muitos dos intelectuais que foram ofendidos. Para eles, pedimos que esses jornalistas se desculpem. E lhes agradeçam. E, sobretudo, antes de os julgarem novamente, leiam suas publicações. Ironicamente, pedimos para a mídia se informar.

Nós somos a primeira turma a entrar no mercado de trabalho após esse triste ocorrido da imprensa. Somos muito conscientes da luta que temos pela frente e das possibilidades de mudança que nosso trabalho promove. Para isso, estudamos e trabalhamos duro durante anos. A nós, pedimos também que se desculpem. E esperamos que um dia possam nos agradecer.

Reafirmamos a necessidade de os veículos de comunicação respeitarem os nossos objetos de estudo e trabalho — a linguagem e a língua portuguesa usada no Brasil —, pois muitos estudantes e profissionais de outras áreas podem não perceber tamanha desinformação e manipulação irresponsável de informação, e podem vir a reproduzir tais concepções simplistas e equivocadas sobre a realidade da língua em uso, fomentando com isso preconceitos difíceis de serem extintos.

Sabemos que sozinhos os professores não mudam o mundo. Como disse a Professora Amanda Gurgel, em audiência pública no Rio Grande do Norte, não podemos salvar o país apenas com um giz e uma lousa. Precisamos de ajuda. Uma das maiores ajudas com as quais contamos é a dos jornalistas. Pedimos que procurem conhecer as teorias atuais da Educação, do ensino de língua portuguesa e da prática que vem sendo proposta cotidianamente no Brasil. Pedimos que leiam muito, informem-se. Visitem escolas públicas e particulares antes de se proporem a emitir opinião sobre o que deve ser feito lá. Promovam acima de tudo o debate de ideias e não procedam à condenação sumária de autores e obras que mal leram. Critiquem as assessorias internacionais que são contratadas reiteradamente. Incentivem o profissional da educação. E nunca mais tratem os professores como trataram dessa vez. O poder de vocês é muito grande – a responsabilidade para usá-lo deve ser também.

Alecsandro Diniz Garcia, Ana Amália Alves da Silva, Ana Lúcia Ferreira Alves, Anderson Mizael, Jeferson Cipriano de Araújo, Laerte Centini Neto, Larissa Arrais, Larissa C. Martins, Laura Baggio, Lívia Oyagi, Lucas Grosso, Maria Laura Gándara Junqueira Parreira, Maria Vitória Paula Munhoz, Nathalia Melati, Nayara Moreira Santos, Sabrina Alvarenga de Souza e Yuki Agari Jorgensen Ramos – formandos 2011 em Letras da PUC-SP, futuros professores de Língua Portuguesa e Língua Inglesa.

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