quinta-feira, 10 de julho de 2014

"7 a 1? Dane-se.Vocês me representam. E não é pela bola que jogam, é pelos caras que são."




Meninos,

(sim, meninos, porque quando uma seleção é eliminada na Copa do Mundo, não há mais homens no gramado. Há meninos. Com olhos vazios, sem rumo e sem qualquer indício de vergonha ou de pudor.)

Escrevo só para agradecer.

Agradecer porque vocês nos fizeram sentir o que há muito tempo não sentíamos.

O nervosismo. A voz embargada. Tensão. Alegria. Nó na garganta. Dor de garganta. Explosão. Tristeza. Desilusão. Um turbilhão de sentimentos condensados em 4 semanas.

Agradeço porque vocês conseguiram mexer com muitas emoções que andavam paradas. Bandeiras na janela por amor a um país (e não apenas a uma seleção), acima de qualquer outra questão.

Porque vocês fizeram mais do que colocar corações para bater mais forte. Vocês colocaram corações absolutamente brasileiros para bater.

Agradeço porque a cada jogo que passava, me sentia mais parecida com os desconhecidos na rua. Mais próxima do meu país, da minha gente.

Agradeço porque o desfecho traumático não anula a alegria vivida.

E por saber que vocês vão ter que encarar aqueles brasileiros de momento, que até ontem tinham orgulho e hoje já acham que “isso é Brasil”.

Mas não se preocupem, para nós também é difícil suportá-los. Tamo junto.

E o fato é que a tristeza é geral: do campo, do banco de reservas, da arquibancada, do sofá da sala, do banco do bar, da sarjeta.

Mas, por favor, entendam, nós não estamos tristes com vocês, estamos tristes JUNTO com vocês.

E tanto é assim que posso garantir que milhares de brasileiros queriam poder dar em vocês hoje o abraço que o David Luiz deu no James depois da eliminação da Colômbia.

Obrigada, meninos.

Obrigada por me lembrarem que eu nunca quis ser europeia. Alemã, holandesa, francesa, belga… Nem que me dessem um belo par de olhos claros.

Que o que eu quero sempre é minha camisa amarela, minhas emoções escancaradas, quero o choro embriagado de hoje, esquizofrenicamente orgulhoso de ser quem somos até quando estamos apanhando como apanhamos.

Abracem seus pais. Seus filhos. Suas mulheres. Seus amigos.

Façam isso por nós, que queríamos abraçá-los talvez até mais do que iríamos querer se ganhássemos a Copa.

E continuem sendo assim, brasileiros, acima de tudo.

No cabelo enrolado, nas danças no vestiário, nos abraços verdadeiros, nos choros sofridos, na oração sincera e na certeza de que, bem ou mal, a gente segue em frente.

7 a 1? Dane-se.

Vocês me representam. E não é pela bola que jogam, é pelos caras que são.

No http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/2014/07/carta-uma-selecao-derrotada-7-1-dane-se.html

A CNTE faz uma ação nas escolas públicas em apoio à campanha nacional de combate à violência

Violência contra a mulher: a educação liga

 violencia contra a mulher ligue 180 post
A CNTE faz uma ação nas escolas públicas em apoio à campanha nacional de combate à violência , que visa a estimular as denúncias por meio da Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação vai produzir cartazes para levar o debate de gênero para as escolas. Segundo a secretária de Relações de Gênero da CNTE, Isis Tavares, os estereótipos de gênero são criados a partir da organização e construção social das relações estabelecidas entre mulheres e homens e a escola é o espaço que pode reforçar ou questionar esses estereótipos. Isis enfatiza que a agressão doméstica extrapola as relações familiares e acaba identificando as mulheres como alvo de todo tipo de violência, seja ela física, psicológica ou simbólica. “Comportamentos aparentemente despretensiosos e inofensivos, de apelidos pejorativos a piadas ou palavras de baixo calão dirigidas às alunas, às professoras ou funcionárias da educação, acabam por gerar situações que vão desde constrangimentos às vias de fato", afirma a secretária.
A CNTE, que possui uma base formada por uma grande maioria de mulheres, entende que sua luta não se restringe às questões específicas da categoria. Isis lembra que consiste também na luta pela emancipação das mulheres, combatendo a opressão de gênero e de classe, "também, e especialmente, nas escolas, que devem ter um compromisso com a construção da democracia e da igualdade entre homens e mulheres".
Berenice Darc, membro da Secretaria Executiva de Política Educacional da CNTE, destaca o papel da escola no combate ao problema: “Hoje cada dia mais no Brasil a gente vive a repressão doméstica e a violência contra a mulher é uma das grandes preocupações da sociedade e da comunidade educacional. A escola é um espaço de debate, de discussão, de formação."
Segundo ela, o assunto deve ser incluído no currículo desde o início da vida escolar: "É importante que desde os pequenininhos tenhamos essa preocupação sobre a discussão de gênero e que a escola seja um dos espaços formais onde se discuta o não à agressão contra a mulher. E a campanha eu ligo 180 - e a educação liga, por isso é importante que a CNTE faça essa grande discussão, para que o caminho formal da escola também possa apontar para o fim das violências. 'A escola liga' uma campanha que é minha, que é sua, que é importante que todos nós participemos".
A partir deste entendimento, a CNTE pretende engrossar as fileiras da Campanha Eu Ligo 180, do Governo Federal, dirigindo-a aos trabalhadores e às trabalhadoras em educação. A proposta foi apresentada e debatida no Coletivo de Mulheres da CNTE, no mês de maio, e aprovada na reunião da Direção Executiva. A ideia é que as escolas organizem atividades para problematizar a violência contra as mulheres na comunidade escolar, além de divulgar o Disque 180, por meio da distribuição dos cartazes e promoção de reuniões e palestras. Mas as entidades também podem propor outras formas de divulgação, organizando o lançamento da Campanha nos seus estados ou municípios, por exemplo.
Isis diz que a expectativa é grande: "Esperamos que toda a direção das nossas entidades abrace essa campanha, dando a devida importância, divulgando nas suas páginas e redes sociais e que ela não seja relegada apenas às mulheres. O desrespeito contra a mulher ainda é uma grande mazela na nossa sociedade e os trabalhadores e as trabalhadoras em educação podem ter um papel decisivo para sua superação".
Marta Vanelli, secretária geral da CNTE, também aposta na força da educação para vencer a intolerância: "A gente vive um momento do país onde existe muito tipo de intimidação, entre os próprios alunos, entre alunos e professores, e aproveitar uma campanha nacional contra a violência faz parte desse processo educacional de também acabar com todos os tipos de opressão. Por isso que a educação também liga para o 180".
No http://www.cnte.org.br/index.php/comunicacao/noticias/13736-violencia-contra-a-mulher-a-educacao-liga.html